Mecânica ISumário
Ilustração de abertura do capítulo 10: F = m·a, e peso não é massa

Capítulo 10F = m·a, e peso não é massa

A segunda lei de Newton

A balança marca 70 na Terra e marcaria 11,2 na Lua, com a mesma pessoa em cima — porque ela não mede o que diz: mede a força com que você a comprime, e quilo nem é unidade de peso.

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O caso: a balança que marca 70

Fim de noite, banheiro em silêncio. Alguém sobe na balança, o visor treme e para em 70. A frase sai automática: "peso 70 quilos". São três palavras, e duas delas estão erradas. Quilo não é unidade de peso — é unidade de massa. E o que a balança mede, no fundo, não é massa: é uma força.

Duas balanças de banheiro lado a lado, vistas de cima, com o mesmo bloco de 70 kg sobre cada uma. À esquerda, sob o rótulo Terra, o visor marca 70,0; à direita, sob o rótulo Lua, o mesmo visor marca 11,2. Um cartão entre as duas diz: a mesma massa nas duas; o que mudou foi a força.
Figura 10.1 — A mesma pessoa, a mesma balança: 70 na Terra, 11,2 na Lua. A balança não mede o que diz.

A prova de que ela mede força é uma viagem. Leve a mesma balança e a mesma pessoa até a Lua e repita a pesagem: o visor marcaria pouco mais de 11. Ninguém emagreceu 59 quilos no caminho; a pessoa continua com a mesma quantidade de matéria, os mesmos ossos, o mesmo sangue. O que mudou foi a força com que o chão a puxa para baixo — e, portanto, a força com que ela comprime a balança. Na Terra, essa força vale 700 newtons; na Lua, 112. A balança divide por dez e escreve o resultado como se fosse massa, porque foi calibrada para a Terra. Na Lua, ela mente: 11,2.

A distância entre o 70 e o 11,2 é a segunda lei de Newton, a equação mais usada da física. Ela diz o que uma força faz com um corpo, quanto vale a unidade de força e por que peso e massa são coisas diferentes que a linguagem do dia a dia embaralha. Este capítulo começa pela lei, passa pelo desenho que a série exige antes de toda conta — o diagrama de corpo livre — e termina com a tabela da Terra e da Lua, que resolve o caso da balança com uma única linha de conta.

Força resultante e aceleração: a segunda lei

O capítulo 9 terminou numa pergunta: se a força resultante sobre um corpo é zero, a velocidade não muda — e se a resultante não for zero? A resposta é a segunda lei: a força resultante produz aceleração, e produz na mesma direção e no mesmo sentido em que ela aponta. Quanto maior a força, maior a aceleração; quanto maior a massa, menor a aceleração para a mesma força.

Dois painéis com um bloco cada. No primeiro, um bloco de 2 kg recebe uma força resultante de 10 N, desenhada como seta grossa salmão para a direita, e a aceleração de 5 m/s² vem como seta fina na mesma direção. No segundo, um bloco de 4 kg recebe os mesmos 10 N e a aceleração é de 2,5 m/s²: a seta da aceleração fica com metade do comprimento.
Figura 10.2 — A mesma força em dobro de massa: metade da aceleração. A aceleração sempre aponta para onde a resultante aponta.

Definição

A segunda lei de Newton

Repare que a lei fala da força resultante, não de uma força qualquer. Um bloco empurrado com 30 N para a frente e freado por um atrito de 10 N não acelera com 30 N: acelera com os 20 N que sobram. Por isso a lei só entra em ação depois de somar as setas — e é por isso que a série tem a regra "sem diagrama, sem conta", que a seção do diagrama de corpo livre explica.

MassaForça resultanteAceleração
1 kg10 N10 m/s²
2 kg10 N5 m/s²
5 kg10 N2 m/s²

A tabela mostra a lei em números: a mesma força de 10 N produz 10 m/s² num quilograma, 5 m/s² em dois e 2 m/s² em cinco. O produto massa × aceleração é sempre 10 — é a força que não mudou. Para achar a aceleração, a conta é uma divisão: a = FR ÷ m. Com 10 N em 2 kg, a = 10 ÷ 2 = 5 m/s².

Atenção

Aceleração não é velocidade

A segunda lei liga força a aceleração, não a velocidade. Um corpo pode andar rápido sem força resultante nenhuma (o disco no gelo do capítulo 9) e pode receber uma força grande estando parado (o carro no instante em que arranca). A força diz como a velocidade muda, não quanto ela vale.

O newton: a unidade da força

A segunda lei também define a unidade de força. Se a massa está em quilogramas e a aceleração em metros por segundo ao quadrado, a força sai em quilograma vezes metro por segundo ao quadrado — e esse produto ganhou nome próprio: o newton, símbolo N.

Um bloco de 1 kg sobre uma superfície recebe uma força de 1 N, seta salmão para a direita, e ganha aceleração de 1 m/s², seta fina na mesma direção. Ao lado, um cartão com a igualdade 1 N = 1 kg·m/s² e, abaixo, uma maçã pequena com a legenda: uma maçã de 100 g pesa cerca de 1 N.
Figura 10.3 — Um newton é a força que dá a 1 kg a aceleração de 1 m/s² — mais ou menos o peso de uma maçã.

Definição

O newton

1 N = 1 kg·m/s²: um newton é a força resultante que dá a um corpo de 1 kg a aceleração de 1 m/s². É a unidade de força do Sistema Internacional, e é nela que se escreve todo resultado de força deste livro.

Para ter uma noção de tamanho: uma maçã de 100 g tem massa 0,1 kg, e a Terra a puxa com 0,1 × 10 = 1 N. Um newton é, mais ou menos, o peso de uma maçã. Uma pessoa de 70 kg é puxada com 700 N; um carro de 1 000 kg, com 10 000 N. Números grandes em newton são normais — a unidade é pequena.

Dica ENEM

Dica ENEM: unidades antes da conta

A prova gosta de dar a massa em gramas ou a velocidade em km/h e pedir a força em newtons. Converta antes de substituir: grama vira quilograma dividindo por 1 000; km/h vira m/s dividindo por 3,6 (72 km/h = 20 m/s). Newton só sai de quilograma com metro por segundo ao quadrado — qualquer outra combinação dá um número sem unidade que sirva.

O diagrama de corpo livre

A regra da série, a partir deste capítulo, é curta: sem diagrama de corpo livre, sem conta. O diagrama de corpo livre, DCL, é o desenho de um corpo só, com todas as forças que agem nele — e nada mais. Nem as forças que ele faz nos outros, nem a mesa, nem a mão que empurra: só o corpo e as setas que chegam a ele.

Diagrama de corpo livre de um bloco de 4 kg sobre uma mesa horizontal. Do bloco saem quatro setas: o peso, de 40 N, para baixo; a normal, de 40 N, para cima; a força de empurrão, de 30 N, para a direita; o atrito, de 10 N, para a esquerda. Abaixo, separada, a resultante de 20 N como seta grossa para a direita, com a aceleração de 5 m/s² na mesma direção.
Figura 10.4 — Um corpo, todas as forças sobre ele. As verticais se cancelam; sobra a resultante de 20 N para a direita.

O bloco da figura tem 4 kg e está sobre uma mesa. Quatro forças agem nele: o peso, com que a Terra o puxa para baixo, 40 N; a normal, com que a mesa o sustenta para cima, também 40 N; o empurrão de 30 N para a direita; e o atrito de 10 N para a esquerda, resistindo ao deslizamento. Na vertical, 40 N para cima e 40 N para baixo se cancelam: o bloco não sai da mesa. Na horizontal, 30 N contra 10 N deixam uma resultante de 20 N para a direita. Só agora entra a lei: a = 20 ÷ 4 = 5 m/s², para a direita.

Definição

Como fazer o diagrama de corpo livre

Atenção

Massa nunca ganha seta — e inércia não é força

No diagrama entram só forças: coisas que puxam ou empurram o corpo, feitas por outro corpo. A massa é um número escrito dentro da caixa, sem seta, porque é escalar. E a inércia não é uma força, é a propriedade de resistir à mudança — nenhuma seta chamada "inércia" existe num diagrama correto. Se você sente vontade de desenhar uma seta "porque o corpo quer continuar", pare: essa vontade é a massa, e ela já está dentro da caixa.

Quando as forças não estão no mesmo eixo, a resultante se acha somando setas, como o capítulo 2 ensinou. Duas forças perpendiculares, de 12 N e 5 N, num bloco de 2 kg, somam-se por Pitágoras: √(12² + 5²) = √169 = 13 N. A aceleração vale 13 ÷ 2 = 6,5 m/s², e aponta na direção da resultante — inclinada, nem para o lado dos 12 N nem para o lado dos 5 N.

Um bloco de 2 kg visto de cima recebe duas forças perpendiculares: 12 N para a direita e 5 N para cima. A resultante de 13 N é a diagonal grossa salmão que fecha o triângulo, e a aceleração de 6,5 m/s² é uma seta fina sobre a mesma diagonal.
Figura 10.5 — Forças em ângulo se somam como vetores: 12 e 5 perpendiculares dão 13, e a aceleração vai pela diagonal.

Peso é força, massa é quantidade

De todas as forças do diagrama, a que mais confunde é a mais familiar: o peso. O capítulo 6 mostrou que todo corpo solto perto do chão cai com a mesma aceleração, g = 10 m/s², independentemente da massa. Se cai acelerando, há uma força resultante puxando para baixo — e a segunda lei diz quanto ela vale: massa vezes g.

Um bloco de 70 kg sobre uma balança de banheiro. Do bloco sai a seta azul do peso, 700 N, para baixo, e a seta azul-céu da normal, 700 N, para cima, feita pela plataforma da balança. O visor da balança mostra 70,0 e um cartão explica: o visor mostra a força de compressão dividida por 10.
Figura 10.6 — O peso puxa para baixo; a balança empurra para cima com a mesma força e mostra esse valor dividido por 10.

Definição

Peso e massa

Massa e peso são proporcionais no mesmo lugar — o dobro de massa tem o dobro de peso —, e é essa proporção que engana. Como na Terra a razão entre os dois é sempre 10, a linguagem comum abandonou o newton e passou a "pesar" em quilos. A física não pode: "pesa 70 quilos" mistura uma força com uma massa, e o erro cobra o preço na Lua.

A balança de banheiro é o ponto onde a confusão nasce. Ela não tem como contar a matéria de quem está em cima: o que ela mede é a força com que a pessoa comprime a plataforma — na Terra, parada, exatamente o peso, 700 N. Para que o visor mostre um número familiar, o fabricante divide essa força por 10, o valor de g na Terra, e escreve "70 kg". A balança, portanto, mede uma força e exibe uma massa por convenção calibrada para este planeta.

Atenção

"Pesa 70 quilos" é erro nomeado

Peso é força e se mede em newtons; massa é quantidade e se mede em quilogramas. A pessoa da balança tem massa de 70 kg e peso de 700 N. Quando o enunciado disser "pesa 70 kg", leia "tem massa de 70 kg" — a prova usa a linguagem comum no enunciado e cobra a linguagem certa na resposta.

Dica ENEM

Dica ENEM: g não depende do corpo

A aceleração da gravidade é a mesma para a pena e para o martelo; o que muda de um corpo para o outro é o peso, porque muda a massa. Se a questão der g = 9,8 m/s², use 9,8; se não disser nada, use 10. E nunca escreva peso em quilogramas na resposta: o gabarito espera newtons.

A mesma massa na Terra e na Lua

Na Lua a aceleração da gravidade é de 1,6 m/s², cerca de seis vezes menor que na Terra. A massa da pessoa do caso continua 70 kg — é a mesma matéria. O peso, não: P = 70 × 1,6 = 112 N. A balança, que só sabe dividir por 10, recebe uma compressão de 112 N e mostra 11,2. O número no visor caiu; a pessoa, não.

Dois painéis lado a lado. À esquerda, Terra: um bloco de 70 kg com a seta do peso de 700 N para baixo e g igual a 10 m/s². À direita, Lua: o mesmo bloco de 70 kg com uma seta de peso bem mais curta, de 112 N, e g igual a 1,6 m/s². Um cartão embaixo: mesma massa, peso seis vezes menor.
Figura 10.7 — Mude de planeta e o peso muda; a massa vai junto, intacta.
GrandezaTerraLua
massa70 kg70 kg
g10 m/s²1,6 m/s²
peso700 N112 N
visor da balança70 kg11,2 kg

A tabela é o caso inteiro. As duas primeiras linhas são as causas; as duas últimas, os efeitos. Uma frase guarda a ideia: massa é quanto de você existe; peso é quanto o planeta te puxa. Mude de planeta e o peso muda — você continua o mesmo. Vale também no sentido contrário: um astronauta que treina para carregar um equipamento na Lua carrega um peso seis vezes menor, mas para empurrá-lo de lado, acelerá-lo ou freá-lo, precisa vencer a mesma massa de sempre. A inércia não viajou de graça.

Dica ENEM

Dica ENEM: leve a massa, recalcule o peso

Em questão de "corpo levado a outro planeta", a massa vai igual e o peso é recalculado com o g do lugar: P = m × g. Se a questão der o peso na Terra, primeiro recupere a massa dividindo por 10, depois multiplique pelo g novo. E se pedir o que a balança marca, divida o peso novo por 10 — a balança continua calibrada para a Terra.

A segunda lei nas ruas

A conta mais frequente com a segunda lei é a de um veículo que acelera ou freia. A prova dá a massa, a velocidade inicial, a final e o tempo; a aceleração sai do capítulo 4, e a força resultante sai daqui. Um carro de 1 000 kg vai de 0 a 72 km/h em 5 s. Primeiro a unidade: 72 ÷ 3,6 = 20 m/s. Depois a aceleração: (20 − 0) ÷ 5 = 4 m/s². Por fim a força: 1 000 × 4 = 4 000 N, para a frente.

Um carro visto de lado, em esquema, com a massa de 1 000 kg escrita na carroceria. Uma seta grossa salmão de 4 000 N aponta para a frente, e uma seta fina de aceleração de 4 m/s² segue a mesma direção. Uma linha do tempo embaixo marca 0 m/s no instante zero e 20 m/s em 5 s.
Figura 10.8 — De 0 a 20 m/s em 5 s: aceleração de 4 m/s² e, para uma tonelada, resultante de 4 000 N.

Na frenagem a lógica é a mesma, com o sinal trocado. O mesmo carro, a 20 m/s, para em 4 s: a aceleração vale 20 ÷ 4 = 5 m/s², contrária ao movimento, e a força resultante que os freios e o chão fazem é 1 000 × 5 = 5 000 N, apontando para trás. A seta da força aponta para onde a velocidade muda, não para onde o carro anda. E um caminhão de 2 000 kg com os mesmos 4 000 N de motor arranca com metade da aceleração, 2 m/s²: a massa em dobro cobra a conta.

Atenção

A força aponta para onde a velocidade muda

Um carro freando anda para a frente e recebe força para trás. Um elevador subindo e freando também recebe resultante para baixo. Antes de desenhar a seta da resultante, pergunte: a velocidade está crescendo ou diminuindo? A resultante aponta no sentido da mudança.

Exemplos resolvidos

Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nos exemplos de dinâmica há um passo antes dos três: desenhar o diagrama de corpo livre. Sem o diagrama, a resultante se perde — e com ela a resposta.

Exemplo 1 — Dez newtons em dois quilogramas

Um bloco de 2 kg recebe uma força resultante de 10 N. Qual é a aceleração do bloco?

Fórmula. FR = m × a ⇒ a = FR ÷ m

Substituição. a = 10 ÷ 2

Resultado. a = 5 m/s², no sentido da força resultante

Conferência. 2 kg × 5 m/s² = 10 N, a força dada. Com 4 kg, a mesma força daria 2,5 m/s²: o dobro da massa, metade da aceleração.

Exemplo 2 — O peso na Terra e na Lua

Uma pessoa tem massa de 70 kg. Qual é o seu peso na Terra (g = 10 m/s²) e na Lua (g = 1,6 m/s²)? E qual é a sua massa na Lua?

Fórmula. P = m × g

Substituição. Terra: P = 70 × 10 ; Lua: P = 70 × 1,6

Resultado. Terra: P = 700 N ; Lua: P = 112 N ; massa na Lua: 70 kg, a mesma

Conferência. 700 ÷ 112 = 6,25, a mesma razão entre os dois g (10 ÷ 1,6 = 6,25). O peso caiu na mesma proporção que g; a massa não entrou na viagem como variável.

Exemplo 3 — O carro que arranca

Um carro de 1 000 kg vai de 0 a 20 m/s em 5 s, em linha reta. Qual é a aceleração e qual é a força resultante sobre o carro?

Fórmula. a = Δv ÷ Δt ; FR = m × a

Substituição. a = (20 − 0) ÷ 5 ; FR = 1 000 × 4

Resultado. a = 4 m/s² ; FR = 4 000 N, para a frente

Conferência. 4 000 N é cerca de quatro vezes o peso de uma pessoa de 100 kg; para uma tonelada arrancando forte, é um valor razoável. Com 2 000 kg, os mesmos 4 000 N dariam 2 m/s².

Diagrama de corpo livre de um bloco de 2 kg visto de cima, com as duas forças perpendiculares de 12 N e 5 N e a resultante de 13 N fechando o triângulo; ao lado, a conta de Pitágoras e a aceleração de 6,5 m/s² na direção da resultante.
Figura 10.9 — O Exemplo 4 em desenho: some as setas antes de dividir pela massa.

Exemplo 4 — Duas forças em ângulo reto

Duas forças, de 12 N e 5 N, perpendiculares entre si, agem sobre um bloco de 2 kg. Qual é o módulo da força resultante e qual é a aceleração do bloco?

Fórmula. FR = √(F₁² + F₂²) (perpendiculares: Pitágoras) ; a = FR ÷ m

Substituição. FR = √(12² + 5²) = √(144 + 25) = √169 ; a = 13 ÷ 2

Resultado. FR = 13 N ; a = 6,5 m/s², na direção da resultante

Conferência. 13 fica entre a diferença (7) e a soma (17) dos módulos, como toda resultante deve ficar. A aceleração não vai nem para o lado dos 12 N nem para o dos 5 N: vai pela diagonal.

Exemplo 5 — O que a balança marca na Lua

A pessoa do caso, de 70 kg, sobe numa balança de banheiro calibrada para a Terra, que exibe a força de compressão dividida por 10. O que o visor mostra na Terra e o que mostraria na Lua?

Fórmula. compressão = P = m × g ; visor = compressão ÷ 10

Substituição. Terra: visor = 700 ÷ 10 ; Lua: visor = 112 ÷ 10

Resultado. Terra: 70 kg ; Lua: 11,2 kg — e a massa real continua 70 kg nos dois lugares

Conferência. na Terra o visor coincide com a massa porque a divisão por 10 desfaz o g de 10. Na Lua, g é 1,6 e a divisão por 10 não desfaz nada: o visor mostra 70 × 1,6 ÷ 10 = 11,2, um número sem significado físico.

Radar ENEM

O ENEM cobra este capítulo em quatro formatos. O primeiro é a segunda lei direta: massa e força resultante dadas, aceleração pedida — ou massa, velocidades e tempo dados, força pedida. O segundo é o próprio caso: massa contra peso, quase sempre com um corpo levado a outro planeta.

Uma caixa de 80 kg em dois painéis: na Terra, peso de 800 N; na Lua, peso de 128 N, com a massa de 80 kg escrita nas duas. Ao lado, um cartão com a resposta certa, massa 80 kg e peso 128 N, e, riscado com um X, o cartão do distrator: massa na Lua igual a 12,8 kg.
Figura 10.10 — Pediu a massa na Lua? É a mesma. O 12,8 está na alternativa para quem divide o peso lunar por 10 e chama de massa.

Uma caixa de 80 kg é levada da Terra para a Lua, onde g = 1,6 m/s². Qual é a massa e qual é o peso da caixa na Lua? Massa: 80 kg, a mesma. Peso: 80 × 1,6 = 128 N. E o distrator? "Massa de 12,8 kg", o peso lunar dividido por 10, posto ali para quem acha que a balança mede massa. No formato direto, um bloco de 5 kg sob resultante de 20 N acelera a 20 ÷ 5 = 4 m/s²; o distrator, 100, é o produto dos dois números, para quem multiplica sem pensar em qual grandeza está pedindo. Os outros dois formatos são a resultante de forças perpendiculares (Pitágoras antes de dividir pela massa) e o diagrama de corpo livre com atrito, em que a prova dá duas forças horizontais e espera que você subtraia antes de aplicar a lei.

Dica ENEM

Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas

Resumo em cinco peças

Cinco peças: a força resultante é massa vezes aceleração, e a aceleração aponta para onde a resultante aponta; um newton acelera um quilograma a um metro por segundo ao quadrado; diagrama de corpo livre, um corpo e todas as forças sobre ele; peso é m vezes g, em newtons; massa não muda de planeta, peso muda.
Figura 10.11 — O capítulo em cinco peças.
  1. FR = m·a: a força resultante produz aceleração na sua direção e no seu sentido; mais massa, menos aceleração.
  2. 1 N = 1 kg·m/s²: um newton acelera 1 kg a 1 m/s² — o peso de uma maçã.
  3. Diagrama de corpo livre: um corpo, todas as forças sobre ele, nada mais. Sem diagrama, sem conta.
  4. Peso é força: P = m·g, em newtons, apontando para o centro do planeta.
  5. Massa não muda de planeta; peso muda. A balança mede a força e divide por 10.

Se for guardar uma frase só, guarde a balança: 70 na Terra, 11,2 na Lua, e a mesma pessoa nas duas.

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