
Capítulo 4A marca de pneu que entregou a velocidade do carro
Movimento uniformemente variado, Torricelli e distância de frenagem
Noventa metros de borracha no asfalto disseram 108 km/h a quem jurava 54 — dobrar a velocidade não dobra a distância para parar, quadruplica, e a marca de pneu não negocia.
Neste capítulo você vai
- Medir a aceleração como a variação da velocidade por segundo e ler os sinais de acelerar, frear e dar ré
- Usar as equações do MUV para achar a velocidade e a posição em qualquer instante
- Calcular a distância de frenagem com Torricelli, sem precisar do tempo
Assista ao episódio 4
Este capítulo acompanha o episódio 4 da série no canal. Assista antes ou depois da leitura — o vídeo é público e gratuito.
O caso: noventa metros de borracha no asfalto
A perícia chegou depois de tudo. O carro já estava na oficina, o motorista já tinha contado a sua versão e nenhuma câmera apontava para aquele trecho de avenida. Sobrou uma testemunha só: uma marca preta de pneu no asfalto, do ponto em que as rodas travaram até o ponto em que o carro parou. Mediram com a trena: 90 metros.

O motorista jurava que vinha abaixo do limite da via, que era de 60 km/h. Disse 54 km/h, e falava sério. O problema é que 90 metros de marca não combinam com 54 km/h. Naquele asfalto seco, com os pneus travados, um carro perde velocidade a cerca de 5 metros por segundo a cada segundo — é o número que a perícia mede no próprio local, e de onde ele vem é assunto do capítulo 12, o do atrito. Com esse número e com o comprimento da marca, a velocidade de antes da frenagem sai de uma conta de duas linhas: 30 m/s, ou 108 km/h. O dobro do que ele disse.
E a diferença entre os dois números não é uma questão de opinião nem de perícia rigorosa. Se o carro estivesse mesmo a 54 km/h, a marca teria 22,5 metros — um quarto do que havia no chão. É essa a frase que este capítulo vai provar: dobrar a velocidade não dobra a distância para parar, quadruplica. Foi isso que entregou o motorista.
Para chegar lá, o capítulo precisa de uma grandeza nova. Nos capítulos anteriores a velocidade não mudava: o movimento uniforme é o do metrônomo, tique, 5 metros, tique, 5 metros. Agora a velocidade muda — e o que mede essa mudança é a aceleração. Dela saem três equações, uma delas capaz de responder à pergunta da perícia sem saber quanto tempo a frenagem durou, e é a equação de Torricelli que faz esse serviço.
Aceleração: quanto a velocidade muda por segundo
Um carro parado no semáforo arranca. Um segundo depois o velocímetro marca 18 km/h; dois segundos depois, 36 km/h; quatro segundos depois, 72 km/h. Em metros por segundo, a leitura é mais limpa: 0, depois 5, depois 10, e 20 m/s no quarto segundo. A cada segundo que passa, a velocidade ganha os mesmos 5 m/s.

Esse "quanto a velocidade muda por segundo" é a aceleração. Para calculá-la, a receita é a mesma de toda taxa de variação: pegue o quanto a grandeza mudou e divida pelo tempo em que a mudança aconteceu.
Definição
Aceleração
Aceleração é a variação da velocidade dividida pelo intervalo de tempo em que ela ocorreu: a = (v − v0) ÷ t. Na leitura em voz alta, "delta vê sobre delta tê" — o delta é o mesmo símbolo de variação do capítulo 2: final menos inicial. Como a velocidade é um vetor, a aceleração também é: tem módulo, direção e sentido.
A unidade sai da própria divisão: metro por segundo, dividido por segundo, dá metro por segundo ao quadrado (m/s²). O nome soa estranho e a leitura é simples: 5 m/s² quer dizer "5 metros por segundo, a cada segundo". No caso do arranque, a = (20 − 0) ÷ 4 = 5 m/s². No SI é m/s²; o folheto do carro prefere dizer "de 0 a 100 km/h em tantos segundos", que é a mesma ideia em outras unidades.
Atenção
Aceleração não é velocidade
As duas grandezas respondem a perguntas diferentes. A velocidade responde "quão rápido?"; a aceleração responde "quão rápido a velocidade está mudando?". Um caminhão a 100 km/h com o ponteiro parado tem aceleração zero, e um carro que sai do zero e chega a 10 km/h tem aceleração grande. Rápido e acelerado não são a mesma coisa.
Vale a frase ao contrário também, porque ela é o tropeço mais comum do capítulo: aceleração zero não quer dizer parado. Aceleração zero quer dizer velocidade constante — que pode ser zero, mas pode ser 900 km/h de avião em cruzeiro. Todo o capítulo 3 tratou de movimentos com aceleração zero, e nenhum deles estava parado.

Guarde a cena, que vale para todo o capítulo: a aceleração é o pé no pedal e a velocidade é o ponteiro. Pé firme no pedal e ponteiro parado é coisa que não existe — se o pé está no pedal, o ponteiro está mudando. E quando o movimento tem aceleração constante, com o mesmo acréscimo de velocidade em cada segundo, ele ganha nome: movimento uniformemente variado, o MUV deste capítulo. Uniformemente variado não é contradição: o que varia é a velocidade, e o que é uniforme é a variação.
Definição
Movimento uniformemente variado (MUV)
- A aceleração é constante: a velocidade muda sempre o mesmo tanto em cada segundo.
- A velocidade, portanto, não é constante — e o movimento não é uniforme.
- Trajetória reta, com a aceleração na mesma direção da velocidade (o movimento curvo tem um capítulo próprio, o 8).
- Aceleração constante e igual a zero é o caso-limite: aí o MUV vira o movimento uniforme do capítulo 3.
Os sinais: acelerar, frear e dar ré
Aceleração é vetor, e num movimento em linha reta o vetor se resume a um sinal, exatamente como a velocidade no capítulo 3: positivo, a favor do eixo que você escolheu; negativo, contra ele. O combinado da série continua valendo antes de qualquer conta — diga de onde você está olhando: origem, sentido positivo, instante zero.
Com dois sinais em jogo, o da velocidade e o da aceleração, há só duas situações possíveis, e nenhuma delas tem a ver com o sinal da aceleração sozinho.

Atenção
Regra de ouro: quem freia é o sinal CONTRÁRIO, não o sinal negativo
- Velocidade e aceleração de mesmo sinal: o módulo da velocidade aumenta — o móvel ganha velocidade, esteja indo para a frente ou de ré.
- Velocidade e aceleração de sinais contrários: o módulo da velocidade diminui — o móvel freia.
- "Aceleração negativa" não significa frear. Um carro de ré que pisa no acelerador tem velocidade negativa e aceleração negativa: os dois sinais iguais, o carro cada vez mais rápido, de ré.
| Velocidade e aceleração | O que acontece |
|---|---|
| mesmo sinal | ganha velocidade |
| sinais contrários | freia |
| aceleração zero | velocidade constante |
O caso mais interessante é o do móvel que freia e não para: ele freia, zera, e continua. Uma bola chutada ladeira acima sobe cada vez mais devagar, para por um instante e volta descendo; a aceleração, nesse tempo todo, aponta sempre ladeira abaixo, sem mudar de sinal. É a velocidade que troca de sinal ao passar pelo zero. O Exemplo 5 faz essa conta em números.
A velocidade a cada instante: v = v0 + a × t
Se a velocidade ganha os mesmos 5 m/s a cada segundo, prever a velocidade em qualquer instante é multiplicar e somar. Depois de t segundos, o móvel ganhou a × t de velocidade; some isso à velocidade que ele já tinha no instante zero e está pronto.
Definição
A equação da velocidade no MUV
v = v0 + a × t: a velocidade no instante t é a velocidade inicial (leia "vê zero": a do instante em que o cronômetro foi zerado) mais o que a aceleração acrescentou nesse tempo. É a mesma forma da função horária do capítulo 3, com a velocidade no lugar da posição e a aceleração no lugar da velocidade.

O carro do arranque tem v0 = 0 e a = 5 m/s², então v = 5t: em t = 4 s, v = 5 × 4 = 20 m/s. E a leitura funciona ao contrário, o que a prova adora: recebeu v = 10 − 2t e já sabe duas coisas sem fazer conta nenhuma — a velocidade inicial é 10 m/s e a aceleração é −2 m/s². Os sinais são contrários, então esse móvel está freando; e em t = 5 s a velocidade chega a zero, porque 10 − 2 × 5 = 0.
No gráfico da velocidade pelo tempo, essa equação é uma reta, e a inclinação dela é a aceleração — a mesma leitura que o capítulo 3 fez no gráfico da posição, um degrau acima. Reta subindo, aceleração positiva; reta descendo, aceleração negativa; reta horizontal, aceleração zero e velocidade constante, o movimento uniforme.
Dica ENEM
Dica ENEM: o instante em que o móvel para
Quando a questão pede "em que instante o móvel para", ela está pedindo o instante em que v = 0. Escreva v = v0 + a × t, ponha zero no lugar de v e resolva para t: sai t = −v0 ÷ a. Num freio, v0 e a têm sinais contrários, e o resultado é positivo — se você achou um tempo negativo, o sinal da aceleração foi perdido no caminho.
A posição a cada instante: s = s0 + v0·t + a·t²÷2
Saber a velocidade em cada instante não diz onde o móvel está. No movimento uniforme bastava multiplicar velocidade por tempo, mas agora a velocidade muda a cada instante — e multiplicar qual delas? A saída é a velocidade média do trecho, que no MUV tem uma propriedade boa: como a velocidade cresce em ritmo constante, a média entre a inicial e a final serve, e a posição sai de uma equação só.
Definição
A equação da posição no MUV
s = s0 + v0 × t + a × t² ÷ 2: onde o móvel começou, mais o quanto ele andaria com a velocidade inicial, mais a parcela que a aceleração acrescenta. Essa terceira parcela cresce com o quadrado do tempo — é ela que faz a distância disparar.

Volte ao arranque, com s0 = 0, v0 = 0 e a = 5 m/s². A equação fica s = 5 × t² ÷ 2, isto é, s = 2,5t². Em t = 1 s o carro andou 2,5 m; em t = 2 s, 10 m; em t = 3 s, 22,5 m; em t = 4 s, 40 m. Repare no desenho: os intervalos entre posições vizinhas crescem — 2,5 m no primeiro segundo, 7,5 m no segundo, 12,5 m no terceiro, 17,5 m no quarto. É o contrário do metrônomo do capítulo 3, em que cada tique valia o mesmo pedaço de estrada.
Quando a equação vem pronta, os coeficientes contam tudo. Em s = 2 + 3t + t² (no SI), o 2 é a posição inicial, o 3 é a velocidade inicial e o coeficiente do t² é a metade da aceleração — então a = 2 m/s². Esse meio é a pegadinha mais barata da prova: quem lê o 1 do t² como aceleração erra por um fator dois. E uma ponte para a trilha de matemática: s = s0 + v0t + at²÷2 é uma função quadrática, a mesma f(x) = ax² + bx + c; no gráfico da posição pelo tempo, o MUV é uma parábola, não mais a reta do movimento uniforme.
A área que mede a distância
Há um segundo jeito de achar os 40 m, e ele vale a pena porque volta no capítulo 5. Olhe outra vez o gráfico da velocidade pelo tempo do arranque: a reta sai do zero e chega a 20 m/s em 4 s, e embaixo dela fica um triângulo de base 4 s e altura 20 m/s. A área desse triângulo é 4 × 20 ÷ 2 = 40 — exatamente os 40 metros que a equação deu.

Atenção
A área embaixo de v × t é o deslocamento
No movimento uniforme a área era um retângulo; no MUV é um triângulo, ou um trapézio quando a velocidade inicial não é zero. A conta muda de forma, a ideia é a mesma: a área entre o gráfico da velocidade e o eixo do tempo mede o quanto o móvel andou. O capítulo 5 transforma essa observação na ferramenta principal de leitura de gráficos.
Torricelli: a conta que dispensa o relógio
A perícia do caso não tinha o tempo da frenagem. Ninguém cronometrou nada; havia a marca no chão, 90 metros, e o número do asfalto, 5 m/s². As duas equações do MUV, as duas, pedem o tempo. Precisamos de uma terceira, em que o tempo não apareça.
Ela existe, e nasce das duas que já temos: isole o tempo em v = v0 + a × t, substitua na equação da posição, arrume os termos e o t desaparece. O resultado é a equação de Torricelli, batizada em homenagem a Evangelista Torricelli, matemático italiano do século XVII.
Definição
Equação de Torricelli
v² = v0² + 2 × a × (s − s0). A parcela (s − s0) é o deslocamento — o "delta ésse" do capítulo 2: onde chegou menos onde partiu. A equação liga velocidades e distância sem o tempo, e é por isso que ela resolve frenagem, tiro de rampa e altura máxima com uma linha só.

Agora o caso. O eixo aponta no sentido da viagem, a origem é o ponto em que as rodas travaram. O carro parou, então v = 0. A aceleração se opõe ao movimento: a = −5 m/s². E o deslocamento é o comprimento da marca: 90 m. Substituindo: 0 = v0² + 2 × (−5) × 90, isto é, 0 = v0² − 900, logo v0² = 900 e v0 = 30 m/s. Em quilômetros por hora, 30 × 3,6 = 108 km/h. A marca no asfalto acabou de dizer a velocidade do carro, e o Exemplo 3 refaz a conta em três tempos.
Dica ENEM
Dica ENEM: quando usar Torricelli
Conte os dados da questão. Se a questão trouxer duas velocidades e uma distância (ou três desses quatro: v, v0, a e o deslocamento) e o tempo não for pedido nem dado, é Torricelli. Se o tempo estiver no enunciado ou na pergunta, as outras duas equações resolvem — e resolvem também com Torricelli, em duas etapas. Atenção ao quadrado: quem esquece de extrair a raiz no fim responde 900 em vez de 30.
Por que a placa diz 60: a frenagem cresce com o quadrado
Ponha a equação de Torricelli de cabeça para baixo e ela responde à pergunta do trânsito: dada a velocidade, de quanto espaço um carro precisa para parar? Com v = 0, sobra v0² = 2 × a × d, e a distância de frenagem é d = v0² ÷ (2 × a). O que salta aos olhos é o quadrado no numerador: a velocidade entra ao quadrado, a distância não perdoa.
Com os mesmos 5 m/s² do asfalto do caso, a tabela sai direto.
| Velocidade | Em m/s | Marca de frenagem |
|---|---|---|
| 36 km/h | 10 m/s | 10 m |
| 54 km/h | 15 m/s | 22,5 m |
| 72 km/h | 20 m/s | 40 m |
| 90 km/h | 25 m/s | 62,5 m |
| 108 km/h | 30 m/s | 90 m |

Leia as duas linhas destacadas. A 54 km/h o carro para em 22,5 m; a 108 km/h, o dobro da velocidade, ele precisa de 90 m — quatro vezes mais, não duas. Triplicar a velocidade multiplica a distância por nove. A razão está na álgebra: se a velocidade dobra, o quadrado dela fica quatro vezes maior, e é o quadrado que manda na conta. É esse fator que responde por que a placa da cidade diz 60 e não 100, e é ele que entregou o motorista do caso.
O trecho que se anda antes de frear
Falta um pedaço da história, e ele é o que a educação para o trânsito chama de distância de reação. Entre ver o obstáculo e o pé chegar ao freio passa um tempo — cerca de 1 segundo para um motorista atento —, e nesse tempo o carro não freou nada: andou com a velocidade que tinha. A 30 m/s, é 1 × 30 = 30 metros percorridos antes de a marca começar.

A distância total até a parada é a soma das duas: a de reação, que cresce junto com a velocidade, e a de frenagem, que cresce com o quadrado dela. A 54 km/h dá 15 + 22,5 = 37,5 m. A 108 km/h dá 30 + 90 = 120 m — mais de três vezes a distância, com o dobro da velocidade. Guarde o desenho: é a figura que o ENEM desenha quando fala de segurança no trânsito.
Exemplos resolvidos
Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Como nos capítulos anteriores, há um passo antes dos três: diga de onde você está olhando — origem, sentido positivo e instante zero.
Exemplo 1 — A aceleração do arranque
Um carro parte do repouso e chega a 20 m/s em 4 s, ganhando velocidade em ritmo constante. Qual é a aceleração?
Fórmula. a = (v − v0) ÷ t
Substituição. a = (20 − 0) ÷ 4
Resultado. a = 5 m/s²
Conferência. 5 m/s² quer dizer 5 m/s a mais em cada segundo — 0, 5, 10, 15, 20 m/s nos quatro segundos, e o último número é o do enunciado.
Exemplo 2 — Quanto ele andou nesses quatro segundos
O mesmo carro do Exemplo 1, com v0 = 0 e a = 5 m/s². Que distância ele percorreu nos 4 s do arranque?
Fórmula. s = s0 + v0 × t + a × t² ÷ 2, com s0 = 0 e v0 = 0
Substituição. s = 5 × 4² ÷ 2 = 5 × 16 ÷ 2
Resultado. s = 40 m
Conferência. pela velocidade média do trecho, (0 + 20) ÷ 2 = 10 m/s durante 4 s, dá os mesmos 40 m — e é também a área do triângulo embaixo do gráfico v × t.

Exemplo 3 — A velocidade que a marca entregou
A marca de pneu tem 90 m. No asfalto daquele trecho, com as rodas travadas, a desaceleração é de 5 m/s². Com que velocidade o carro vinha antes de frear?
Fórmula. v² = v0² + 2 × a × (s − s0), com v = 0, a = −5 m/s² e deslocamento de 90 m
Substituição. 0 = v0² + 2 × (−5) × 90 = v0² − 900
Resultado. v0² = 900, logo v0 = 30 m/s = 108 km/h
Conferência. a raiz de 900 é 30, não 900 — e 30 × 3,6 = 108. A 54 km/h a marca teria 22,5 m, um quarto da que estava no chão.
Exemplo 4 — Ler os coeficientes
Um móvel obedece a s = 2 + 3t + t², com s em metros e t em segundos. Qual é a posição inicial, qual é a velocidade inicial, qual é a aceleração e onde ele está em t = 4 s?
Fórmula. s = s0 + v0 × t + a × t² ÷ 2 — o coeficiente do t² é a metade da aceleração
Substituição. s0 = 2 m ; v0 = 3 m/s ; a ÷ 2 = 1, logo a = 2 m/s² ; s = 2 + 3 × 4 + 4²
Resultado. s0 = 2 m, v0 = 3 m/s, a = 2 m/s² e s = 2 + 12 + 16 = 30 m
Conferência. quem lê o coeficiente 1 do t² como aceleração acha a = 1 m/s², metade do certo. A velocidade em t = 4 s sai da outra equação: v = 3 + 2 × 4 = 11 m/s.
Exemplo 5 — O móvel que freia, para e volta
Um móvel parte da origem com v = 10 − 2t (no SI). Em que instante ele para, onde ele está nesse instante e onde ele está em t = 7 s?
Fórmula. v = v0 + a × t para o instante da parada ; s = s0 + v0 × t + a × t² ÷ 2 para as posições
Substituição. 0 = 10 − 2t, logo t = 5 s ; s = 10t − t² ; s(5) = 50 − 25 ; s(7) = 70 − 49
Resultado. para em t = 5 s, na posição 25 m ; em t = 7 s está na posição 21 m
Conferência. depois dos 5 s a velocidade fica negativa e o móvel volta — andou 25 m para a frente e 4 m de volta, então a distância percorrida é 29 m e a posição é 21 m. Torricelli confirma o ponto de parada: 0 = 100 − 2 × 2 × 25.
Radar ENEM
O ENEM cobra este capítulo, quase sempre, dentro de uma situação de trânsito: um carro que freia, uma placa de limite, uma campanha de segurança. O que ele testa não é decorar as três equações, é escolher a certa — e não perder o quadrado da velocidade no caminho.

Dobrar 36 km/h para 72 km/h muda a marca de 10 m para 40 m, quatro vezes maior. O distrator plantado é 20 m, o dobro — a alternativa de quem tratou a distância como proporcional à velocidade. Os outros formatos frequentes são a leitura dos coeficientes de uma equação da posição (com o meio da aceleração escondido no t²), o cálculo direto com Torricelli (duas velocidades e uma distância, sem tempo), e a discussão de sinais: um móvel com aceleração negativa que ganha velocidade porque está de ré.
Dica ENEM
Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas
- Esquecer que a distância de frenagem cresce com o quadrado — dobrar a velocidade quadruplica a marca (Exemplo 3 e a tabela da frenagem).
- Ler o coeficiente do t² como a aceleração — ele é a metade dela (Exemplo 4).
- Não extrair a raiz no fim de Torricelli — a equação entrega v², não v.
- Confundir aceleração negativa com frenagem — quem freia é o sinal contrário ao da velocidade, não o sinal negativo.
- Tomar aceleração zero por repouso — aceleração zero é velocidade constante, e ela pode ser alta.
- Somar a distância de reação como se ela também quadruplicasse — a de reação cresce junto com a velocidade; só a de frenagem vai ao quadrado.
Resumo em cinco peças

- Aceleração é a variação da velocidade dividida pelo tempo: a = (v − v0) ÷ t, em m/s². Ela é o pé no pedal, não o ponteiro.
- A velocidade num instante: v = v0 + a × t. No gráfico v × t é uma reta, e a inclinação dela é a aceleração.
- A posição num instante: s = s0 + v0 × t + a × t² ÷ 2. O coeficiente do t² é a metade da aceleração, e no gráfico s × t o MUV é uma parábola.
- Torricelli liga velocidades e distância sem o tempo: v² = v0² + 2 × a × (s − s0).
- A distância de frenagem cresce com o quadrado da velocidade: o dobro da velocidade pede quatro vezes o espaço para parar.
Se for guardar uma frase só, guarde a marca do asfalto: 90 metros de borracha disseram 108 km/h, e a 54 km/h teriam sido 22,5 m. O quadrado da velocidade não negocia.
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