Mecânica ISumário
Ilustração de abertura do capítulo 5: A caixa-preta do caminhão: uma curva conta a viagem inteira

Capítulo 5A caixa-preta do caminhão: uma curva conta a viagem inteira

Gráficos do movimento (s×t, v×t, a×t)

A denúncia viu a linha do tacógrafo despencar e gritou "desceu a serra embalado"; a estrada era plana — o que desce no disco é a velocidade, e a área embaixo dela contou 250 metros, só 50 de freio.

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O caso: a testemunha de papel

A denúncia chegou por telefone à transportadora: um dos caminhões da empresa teria passado "voando" pelo trecho da rodovia em frente a um posto de fiscalização e freado "em cima", já quase na barreira. O motorista negou. Não havia câmera, não havia radar — mas havia uma testemunha que viaja dentro de todo caminhão e não tem motivo para mentir: o tacógrafo.

O disco do tacógrafo desenrolado como um gráfico de velocidade por tempo, nos últimos 15 segundos antes da parada. Uma linha azul fica em 20 m/s durante 10 s e depois desce em linha reta até zero em mais 5 s. A área embaixo da linha está preenchida em duas partes: um retângulo de 200 m e um triângulo de 50 m. Uma linha tracejada salmão marca o limite da via, 80 km/h, acima do patamar.
Figura 5.1 — O disco desenrolado: 72 km/h durante 10 s, abaixo do limite de 80, e uma frenagem de 5 s. A área embaixo da curva mede 250 m.

Dentro do painel, uma agulha risca num disco de papel, a cada instante, a velocidade do caminhão. O disco dá uma volta por dia; no fim da viagem, a curva que ficou gravada nele é a viagem inteira: onde acelerou, onde andou constante, onde parou, onde correu demais. A perícia da empresa abriu o disco e leu os últimos 15 segundos. Nos primeiros 10, a agulha ficou parada em 72 km/h, que são 20 m/s — abaixo dos 80 km/h do trecho. Nos 5 finais, a curva desceu em linha reta até o zero.

Quem fez a denúncia também olhou o disco, e viu outra coisa: "a linha despenca no fim — ele desceu a serra embalado e freou em cima". Só que ali a estrada é plana. O que desce no disco não é a estrada, é a velocidade. A linha que cai é a frenagem, e ela conta mais: a velocidade caiu 20 m/s em 5 s, uma desaceleração de 4 m/s², firme e sem susto. E a área embaixo da curva — o retângulo dos 10 s mais o triângulo da frenagem — mede quanto o caminhão andou: 250 metros, dos quais só os últimos 50 foram de freio.

O motorista era inocente, e quem o salvou foi um gráfico lido direito. Este capítulo ensina a ler os três gráficos do movimento — posição, velocidade e aceleração contra o tempo — e a tirar deles tudo o que eles guardam. E começa pelo aviso que a denúncia esqueceu, desenvolvido na seção do gráfico que não é o caminho: o desenho de um gráfico nunca é o desenho da estrada.

O gráfico s × t: a inclinação é a velocidade

O capítulo 3 já desenhou o primeiro gráfico: a posição no eixo vertical, o tempo no horizontal. No movimento uniforme ele é uma reta, e a inclinação dessa reta — quanto a posição sobe dividido por quanto o tempo avança — é a velocidade.

Três gráficos pequenos de posição por tempo, lado a lado. No primeiro, uma reta inclinada, com o rótulo MU, velocidade constante. No segundo, uma curva que começa quase horizontal e vai ficando cada vez mais íngreme, com o rótulo MUV, parábola. No terceiro, uma reta horizontal, com o rótulo parado.
Figura 5.2 — Pela forma do gráfico s × t se reconhece o movimento: reta inclinada, parábola ou patamar.

Esse gráfico tem três formas que a prova pede para reconhecer. Reta inclinada: a posição muda o mesmo tanto a cada segundo, velocidade constante, movimento uniforme. Reta horizontal: a posição não muda, o móvel está parado. Curva em forma de parábola: a inclinação muda de instante para instante, então a velocidade muda — é o movimento uniformemente variado do capítulo 4, cuja equação da posição tem um t².

Numa reta, ler a velocidade é pegar dois pontos. Se o gráfico passa por 10 m em t = 0 e por 60 m em t = 5 s, a posição subiu 50 m em 5 s, e a velocidade é 50 ÷ 5 = 10 m/s. Numa parábola, a inclinação muda a cada ponto; a velocidade num instante é a inclinação da reta que apenas toca a curva naquele ponto — a reta tangente. Curva ficando mais íngreme, velocidade crescendo; curva se deitando, velocidade diminuindo; no topo de um morro do gráfico, a tangente é horizontal e a velocidade, naquele instante, é zero.

Um extrato bancário ao lado de um gráfico: no extrato, o saldo em cada dia; no gráfico, o mesmo saldo como uma linha ao longo dos dias. Um cartão diz: o saldo mostra quanto você tinha em cada dia, não o caminho que fez até o banco.
Figura 5.3 — O gráfico s × t é o extrato bancário do movimento: diz onde você estava em cada instante, e nada sobre o caminho.

Guarde a imagem que vale para o capítulo inteiro: o gráfico s × t é o extrato bancário do movimento. O extrato diz quanto você tinha em cada dia — e não diz nada sobre o caminho que você fez até o banco. O gráfico da posição diz onde o móvel estava em cada instante, contado a partir da origem que você escolheu; e não diz nada sobre a forma da estrada.

Definição

O que se lê no gráfico s × t

O gráfico não é o caminho

Eis o erro da denúncia, na sua forma mais pura. Uma bola rola num piso reto e plano: sai da origem, se afasta 12 m em 3 s e volta, chegando outra vez à origem em t = 6 s. O gráfico da posição dela tem a forma de um morro — sobe, faz a curva no alto e desce.

Em cima, um gráfico de posição por tempo em forma de morro: a posição sobe de 0 a 12 m até t igual a 3 s e volta a zero em t igual a 6 s. Embaixo, o movimento real: um piso reto e horizontal, com a bola indo da origem até o marco 12 m e voltando, numa seta de ida e outra de volta sobre a mesma linha reta.
Figura 5.4 — O gráfico tem um morro; o piso é plano. A bola foi 12 m para a frente e voltou pelo mesmo caminho reto.

A bola subiu um morro? Não. A bola andou numa reta, foi e voltou. O "morro" é só o jeito de o gráfico mostrar que a posição cresceu e depois diminuiu. Onde o gráfico está no alto, a bola está longe da origem; onde está embaixo, perto. A trajetória — o desenho do caminho — está no chão, e ele é uma linha reta.

Atenção

Regra de ouro: o gráfico não é a trajetória

O eixo vertical de um gráfico s × t é onde, contado ao longo da estrada — nunca altura. O eixo vertical de um gráfico v × t é quão rápido — nunca descida nem subida. Antes de interpretar qualquer desenho, leia os dois eixos e as unidades; a forma da curva sozinha não diz nada sobre a forma da estrada.

O capítulo 3 plantou esse aviso numa frase; aqui ele vira regra. Um gráfico de velocidade que "desce" é um móvel freando, numa estrada que pode ser plana ou até uma subida. Um gráfico de posição que faz um "vale" é um móvel que foi para trás e voltou. Quem lê a curva como paisagem condena o motorista inocente.

O gráfico v × t: inclinação e área

O disco do tacógrafo é um gráfico v × t, e ele guarda duas informações diferentes em dois lugares diferentes. A primeira está na inclinação. O capítulo 4 mostrou que, no MUV, o gráfico da velocidade é uma reta, e que a inclinação dessa reta é a aceleração: quanto a velocidade muda dividido pelo tempo. Na frenagem do caso, a velocidade caiu de 20 m/s para zero em 5 s: inclinação (0 − 20) ÷ 5 = −4 m/s².

A segunda informação está na área entre a curva e o eixo do tempo, e ela é a grande ferramenta deste capítulo. Num patamar de velocidade constante, a área é um retângulo: base (tempo) vezes altura (velocidade) — e tempo vezes velocidade é distância. Num trecho de MUV, a área é um triângulo ou um trapézio, e continua medindo a distância, como o capítulo 4 conferiu com o arranque de 40 m.

Gráfico de velocidade por tempo com a curva do caso: um patamar em 20 m/s de 0 a 10 s e uma rampa descendo até zero em t igual a 15 s. A área embaixo está dividida em um retângulo azul claro, com o rótulo 20 vezes 10 igual a 200 m, e um triângulo salmão, com o rótulo 5 vezes 20 dividido por 2 igual a 50 m. Um cartão soma: 250 m.
Figura 5.5 — A área embaixo de v × t é o deslocamento: retângulo do patamar mais triângulo da frenagem, 200 + 50 = 250 m.

Definição

O que se lê no gráfico v × t

No caso, a área do patamar é 20 × 10 = 200 m e a área do triângulo da frenagem é 5 × 20 ÷ 2 = 50 m. Somadas, 250 m em 15 s. A velocidade média do trecho sai daí, com a regra do capítulo 3: 250 ÷ 15 ≈ 16,7 m/s, que são exatamente 60 km/h. O caminhão não passou "voando" por lugar nenhum.

Movimentos em etapas: some as figuras

Movimentos reais raramente têm um trecho só. O caminhão sai do posto, acelera, roda constante, freia no pedágio. No gráfico v × t isso vira uma sequência de figuras simples — triângulos nas rampas, retângulos nos patamares, trapézios quando a rampa não começa do zero — e a distância total é a soma das áreas. Não há fórmula nova: cada figura se calcula do jeito que a geometria ensina, e a física só pede para somar.

Gráfico de velocidade por tempo em forma de trapézio: a velocidade sobe de 0 a 10 m/s em 2 s, fica em 10 m/s até t igual a 8 s e desce a zero em t igual a 10 s. A área está dividida em três partes: um triângulo de 10 m, um retângulo de 60 m e outro triângulo de 10 m. Um cartão soma 80 m e lembra a fórmula do trapézio: base maior mais base menor, vezes a altura, dividido por dois.
Figura 5.6 — Três etapas, três figuras: 10 + 60 + 10 = 80 m — ou, de uma vez, o trapézio (10 + 6) × 10 ÷ 2.

Dica ENEM

Dica ENEM: o trapézio de uma vez só

Quando o gráfico v × t sobe, fica constante e desce, a figura inteira é um trapézio: área = (base maior + base menor) × altura ÷ 2. Na figura, a base maior é o tempo total, 10 s; a base menor é o patamar, 6 s; a altura é 10 m/s. Área = (10 + 6) × 10 ÷ 2 = 80 m. Se você calculou o retângulo inteiro, 10 × 10 = 100 m, esqueceu que acelerar e frear rendem só meio retângulo.

Área abaixo do eixo: o deslocamento que volta

O gráfico da velocidade pode atravessar o eixo do tempo. Acima do eixo, a velocidade é positiva e o móvel anda a favor do sentido que você escolheu; abaixo, ela é negativa e o móvel anda contra. A área abaixo do eixo continua sendo deslocamento — só que negativo: é o móvel voltando.

Gráfico de velocidade por tempo. De 0 a 4 s, um patamar em mais 10 m/s, com a área acima do eixo preenchida e o rótulo mais 40 m. De 4 a 6 s, um patamar em menos 10 m/s, com a área abaixo do eixo preenchida em outra cor e o rótulo menos 20 m. Dois cartões: deslocamento 40 menos 20 igual a 20 m; distância percorrida 40 mais 20 igual a 60 m.
Figura 5.7 — Área acima do eixo conta positiva, abaixo conta negativa. O deslocamento é 20 m; a distância percorrida, 60 m.

Tome um carrinho que anda a +10 m/s durante 4 s e depois a −10 m/s durante 2 s. Acima do eixo, a área é 10 × 4 = 40 m: ele avançou 40 m. Abaixo, a área é 10 × 2 = 20 m, com sinal negativo: ele voltou 20 m. O deslocamento é a soma com os sinais, 40 − 20 = 20 m — ele terminou 20 m à frente de onde começou. Já a distância percorrida soma tudo sem sinal, 40 + 20 = 60 m, porque as rodas giraram nos dois sentidos. É a separação do capítulo 2, deslocamento contra distância, lida agora num gráfico.

Atenção

Com sinal ou sem sinal?

Pediu deslocamento (onde terminou em relação a onde começou)? Some as áreas com sinal: acima do eixo soma, abaixo subtrai. Pediu distância percorrida (quanto as rodas rodaram)? Some as áreas sem sinal. As duas respostas só coincidem quando o gráfico não cruza o eixo.

O gráfico a × t: a área é a variação da velocidade

O terceiro gráfico é o mais simples e o que menos aparece. No MUV, a aceleração é constante, então o gráfico a × t é um patamar, uma reta horizontal. A inclinação dele não conta nada de interessante aqui; o que conta é a área, e ela segue a mesma lógica dos outros dois: aceleração vezes tempo é quanto a velocidade mudou.

Gráfico de aceleração por tempo. Um patamar azul em 2 m/s² de 0 a 6 s, com o retângulo embaixo preenchido e o rótulo área igual a 2 vezes 6 igual a 12 m/s, a variação da velocidade.
Figura 5.8 — No gráfico a × t a área é a variação da velocidade: 2 m/s² durante 6 s somam 12 m/s.

Um carro que acelera a 2 m/s² durante 6 s tem, embaixo do patamar, um retângulo de área 2 × 6 = 12 m/s. Esse é o quanto a velocidade dele aumentou. Se ele partiu do repouso, terminou a 12 m/s; se já vinha a 5 m/s, terminou a 17 m/s. Repare na cadeia que se forma, de baixo para cima: a área de a × t dá a variação da velocidade; a área de v × t dá a variação da posição.

Definição

A escada dos três gráficos

Um movimento, três gráficos

Juntar os três gráficos de um mesmo movimento é o melhor treino para não confundir nenhum deles. Tome um carro que parte do repouso, na origem, com aceleração constante de 2 m/s², e observe-o durante 4 s.

Três gráficos empilhados com o mesmo eixo de tempo, de 0 a 4 s. Em cima, a × t: um patamar em 2 m/s². No meio, v × t: uma reta que sobe de 0 a 8 m/s. Embaixo, s × t: uma parábola que sobe de 0 a 16 m, cada vez mais íngreme. Setas ligam a área do patamar, 8 m/s, ao valor final da reta, e a área do triângulo, 16 m, ao valor final da parábola.
Figura 5.9 — O mesmo MUV visto três vezes: patamar em a × t, reta em v × t, parábola em s × t — e as áreas ligando um ao outro.

O gráfico a × t é um patamar em 2 m/s²; a área dele até 4 s é 2 × 4 = 8 m/s, e de fato a velocidade final é 8 m/s. O gráfico v × t é uma reta de 0 a 8 m/s; a área do triângulo é 4 × 8 ÷ 2 = 16 m, e de fato a posição final é 16 m, porque s = t² (metade de 2, vezes t²). O gráfico s × t é uma parábola que passa por 1, 4, 9 e 16 m nos quatro primeiros segundos, cada vez mais íngreme — e a inclinação dela em t = 4 s é 8 m/s, a velocidade daquele instante.

Uma propriedade do MUV fecha o círculo e vale a pena guardar: a velocidade média de um intervalo é a velocidade no instante do meio. De 0 a 4 s, o carro andou 16 m, média de 16 ÷ 4 = 4 m/s — e em t = 2 s, o meio do intervalo, a velocidade era exatamente 2 × 2 = 4 m/s. O Exemplo 5 usa isso para ler uma velocidade direto numa parábola.

Exemplos resolvidos

Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Neste capítulo, a "fórmula" é quase sempre uma leitura de gráfico: inclinação ou área. Antes dos três tempos, leia os eixos e as unidades.

Exemplo 1 — O disco do caminhão

No disco do tacógrafo, a velocidade fica em 20 m/s durante 10 s e cai em linha reta até zero em mais 5 s. Que distância o caminhão percorreu nesses 15 s?

Fórmula. distância = área embaixo de v × t = retângulo + triângulo

Substituição. retângulo: 20 × 10 ; triângulo: 5 × 20 ÷ 2

Resultado. 200 m + 50 m = 250 m

Conferência. a velocidade média, 250 ÷ 15 ≈ 16,7 m/s, fica entre 0 e 20 m/s, como tinha de ficar — e dá 60 km/h.

Exemplo 2 — A velocidade numa reta de s × t

O gráfico da posição de um ciclista é uma reta que passa por 10 m em t = 0 e por 60 m em t = 5 s. Qual é a velocidade do ciclista?

Fórmula. velocidade = inclinação = (variação da posição) ÷ (variação do tempo)

Substituição. v = (60 − 10) ÷ (5 − 0) = 50 ÷ 5

Resultado. v = 10 m/s

Conferência. 10 m/s são 36 km/h, um ritmo de ciclista forte. Quem dividisse 60 por 5 acharia 12 m/s, esquecendo que o ciclista não partiu da origem.

Exemplo 3 — A área do gráfico a × t

Um carro acelera a 2 m/s² durante 6 s, partindo do repouso. Qual é a velocidade dele ao fim desse tempo?

Fórmula. variação da velocidade = área embaixo de a × t = a × t

Substituição. variação = 2 × 6 = 12 m/s ; v = 0 + 12

Resultado. v = 12 m/s

Conferência. é a mesma conta da equação v = v0 + a × t do capítulo 4, agora vista como a área de um retângulo.

Gráfico de velocidade por tempo do Exemplo 4: um patamar em mais 10 m/s de 0 a 4 s e outro em menos 10 m/s de 4 a 6 s, com as áreas marcadas mais 40 m e menos 20 m.
Figura 5.10 — O Exemplo 4 em desenho: uma área acima do eixo, outra abaixo.

Exemplo 4 — O gráfico que cruza o eixo

Um carrinho anda a +10 m/s durante 4 s e depois a −10 m/s durante 2 s. Qual é o deslocamento e qual é a distância percorrida nos 6 s?

Fórmula. deslocamento = soma das áreas COM sinal ; distância = soma das áreas SEM sinal

Substituição. área acima: 10 × 4 = 40 m ; área abaixo: 10 × 2 = 20 m ; deslocamento: 40 − 20 ; distância: 40 + 20

Resultado. deslocamento = 20 m ; distância percorrida = 60 m

Conferência. o carrinho avançou 40 m e voltou 20 m; terminou 20 m à frente da partida. O módulo do deslocamento não passa da distância, como manda o capítulo 2.

Exemplo 5 — A velocidade lida numa parábola

O gráfico s × t de um carro em MUV, que partiu do repouso na origem, é uma parábola que passa por 16 m em t = 4 s. Qual é a velocidade em t = 2 s e qual é a aceleração?

Fórmula. no MUV, velocidade média de um intervalo = velocidade no instante do meio ; a = (v − v0) ÷ t

Substituição. média de 0 a 4 s: 16 ÷ 4 = 4 m/s, que é a velocidade em t = 2 s ; a = (4 − 0) ÷ 2

Resultado. v = 4 m/s em t = 2 s ; a = 2 m/s²

Conferência. com a = 2 m/s², s = 2 × 4² ÷ 2 = 16 m em t = 4 s, o ponto do gráfico.

Radar ENEM

Gráfico é um dos assuntos preferidos do ENEM em mecânica, porque testa leitura, e não decoreba. A questão típica traz um gráfico v × t de um veículo em etapas — arrancada, trecho constante, frenagem — e pergunta a distância percorrida.

Gráfico de velocidade por tempo em trapézio, igual ao da seção das etapas, com a área de 80 m destacada. Abaixo, um cartão com 80 m destacado e, riscado com um X, um cartão com 100 m: o distrator de quem calcula o retângulo inteiro.
Figura 5.11 — Pediu distância no v × t? Área, com os triângulos pela metade. O 100 m está na alternativa para quem fez o retângulo inteiro.

O distrator clássico é o retângulo inteiro: 10 m/s vezes 10 s, 100 m, na alternativa para quem esquece que as rampas são triângulos. Os outros formatos frequentes são a inclinação de s × t ou de v × t (velocidade ou aceleração a partir de dois pontos), o reconhecimento da forma (reta, parábola, patamar: que movimento é este?) e a área abaixo do eixo, em que se pede o deslocamento de um móvel que foi e voltou.

Dica ENEM

Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas

Resumo em cinco peças

Cinco peças: no gráfico s por t a inclinação é a velocidade; no v por t a inclinação é a aceleração e a área é o deslocamento; no a por t a área é a variação da velocidade; o gráfico não é a trajetória; área abaixo do eixo conta negativa.
Figura 5.12 — O capítulo em cinco peças.
  1. No gráfico s × t, a inclinação é a velocidade: reta inclinada é MU, parábola é MUV, patamar é parado.
  2. No gráfico v × t, a inclinação é a aceleração e a área embaixo da curva é o deslocamento.
  3. No gráfico a × t, a área é a variação da velocidade.
  4. O gráfico não é a trajetória: o eixo vertical é posição, velocidade ou aceleração — nunca a altura da estrada.
  5. Área abaixo do eixo conta negativa no deslocamento; na distância percorrida, todas as áreas somam.

Se for guardar uma frase só, guarde o disco do caminhão: a linha que desce não é uma serra, é uma frenagem — e a área embaixo dela conta 50 metros.

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