Mecânica IISumário
Ilustração de abertura do capítulo 8: O airbag tem furos de propósito

Capítulo 8O airbag tem furos de propósito

Impulso e quantidade de movimento

O airbag infla em menos de um vigésimo de segundo e já vem com furos, para esvaziar logo depois. Não é para ser macio: é para ganhar tempo — porque a mesma parada, esticada no tempo, é a diferença entre um hematoma e uma fratura.

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O caso: o saco que infla e já vem furado

Uma batida de frente. O sensor do carro percebe a desaceleração brusca e dispara uma carga de gás para dentro de um saco de tecido dobrado no centro do volante. O saco infla em menos de um vigésimo de segundo — na prática, entre 15 e 40 milésimos de segundo, mais rápido que um piscar de olhos. E aí vem o detalhe que muita gente não sabe: o saco já vem com furos de ventilação. Por volta de 100 milésimos de segundo depois do disparo, ele precisa estar quase vazio. Um airbag que ficasse cheio e duro seria uma parede a mais; um que esvazia enquanto o corpo afunda nele é um freio macio e demorado.

Um volante visto de frente com o saco do airbag inflado no centro; dois furos de ventilação são indicados nas costas do saco. Embaixo, uma linha do tempo em milissegundos: de 0 a 15 ms o sensor dispara e o gás enche o saco; de 15 a 40 ms o saco está inflado; de 40 a 100 ms ele esvazia pelos furos enquanto o corpo freia, e por volta de 100 ms está quase vazio.
Figura 8.1 — Menos de um vigésimo de segundo para encher; por volta de um décimo para esvaziar. O tempo é o projeto.

Os furos não são defeito nem economia. São a parte mais importante do projeto. O corpo do ocupante chega ao saco com certa velocidade e precisa chegar a zero; a quantidade de movimento que ele carrega vai ser retirada de qualquer jeito, pelo airbag ou pelo painel. O que o airbag muda não é quanto se retira — é em quanto tempo. Esticar o tempo da mesma parada é a diferença entre um hematoma e uma fratura, e este capítulo mostra a conta por trás disso: uma grandeza chamada quantidade de movimento, a ferramenta que a altera, o impulso, e o gráfico de força contra tempo em que o airbag vira uma área.

Quantidade de movimento: massa vezes velocidade, com seta

A física precisa de uma grandeza que diga "quanto movimento" um corpo carrega — e que leve em conta, ao mesmo tempo, a massa e a velocidade. Um caminhão a passo de pedestre é difícil de parar; uma bala leve a centenas de metros por segundo também. A grandeza que junta as duas coisas é a quantidade de movimento, escrita p.

Dois painéis. No de cima, um carro de 1 000 kg a 20 m/s, com a seta fina azul-céu da velocidade e a seta grossa salmão da quantidade de movimento, 20 000 kg·m/s, na mesma direção e sentido. No de baixo, uma bala de 0,02 kg a 500 m/s, com uma seta de velocidade comprida e uma seta de quantidade de movimento bem curta, 10 kg·m/s. Uma nota avisa que as setas de p estão fora de escala: em escala, a do carro seria 2 000 vezes mais comprida que a da bala.
Figura 8.2 — Quantidade de movimento é massa vezes velocidade: o carro leva 2 000 vezes mais que a bala.

Definição

Quantidade de movimento

O carro do caso, com 1 000 kg a 20 m/s, carrega p = 1 000 × 20 = 20 000 kg·m/s, ou 2 × 10⁴ kg·m/s. Uma bala de 0,02 kg a 500 m/s carrega p = 0,02 × 500 = 10 kg·m/s. A razão é 20 000 ÷ 10 = 2 000: o carro leva duas mil vezes mais quantidade de movimento que a bala — e, ainda assim, os 10 kg·m/s da bala são retirados numa fração de centímetro, e é isso que a torna perigosa. A comparação está na tabela.

Corpom × vp
carro1 000 kg × 20 m/s20 000 kg·m/s
bala0,02 kg × 500 m/s10 kg·m/s
pessoa70 kg × 15 m/s1 050 kg·m/s

Atenção

Massa maior não é quantidade de movimento maior

p é o produto m × v. Um caminhão de 20 000 kg parado tem p = 0; uma bicicleta de 100 kg (com ciclista) a 5 m/s tem p = 500 kg·m/s. Quem tem mais quantidade de movimento é quem tem o maior produto, não a maior massa. E, como p é vetor, dois corpos com o mesmo módulo em sentidos contrários têm quantidades de movimento diferentes — a seta virada é outro vetor.

Impulso: força vezes tempo

Para mudar a quantidade de movimento de um corpo é preciso uma força — e a força precisa agir durante algum tempo. Um empurrão de 50 N por 0,2 s muda mais o movimento de um bloco do que os mesmos 50 N por 0,02 s. A grandeza que mede "força vezes tempo" é o impulso.

Um bloco sobre o chão recebe uma força constante de 50 N, seta azul para a direita, enquanto um relógio marca um intervalo de 0,2 s. Embaixo, a seta salmão do impulso, no mesmo sentido da força, com a conta I = F × Δt = 50 × 0,2 = 10 N·s, e a lembrança de que 1 N·s é igual a 1 kg·m/s.
Figura 8.3 — Impulso é força vezes tempo: 50 N por 0,2 s dão 10 N·s, no sentido da força.

Definição

Impulso de uma força constante

Dica ENEM

Dica ENEM: a unidade denuncia a grandeza

N·s e kg·m/s são a mesma coisa escrita de dois jeitos. Se a alternativa traz kg·m/s², é força; se traz J, é energia; se traz N·s ou kg·m/s, é impulso ou quantidade de movimento. Antes de calcular, olhe a unidade pedida: ela já elimina metade das alternativas.

Repare no que o impulso não é. Não é força: a força é uma parte dele, a outra é o tempo. Uma força enorme por um tempo minúsculo pode dar o mesmo impulso que uma força pequena por um tempo longo — é exatamente o que o airbag explora.

O teorema do impulso: I = Δp

A segunda lei de Newton, do livro da Mecânica I, diz que a força resultante é massa vezes aceleração: F = m·a. E aceleração é variação de velocidade dividida por tempo: a = Δv ÷ Δt. Juntando as duas, F = m·Δv ÷ Δt. Passe o Δt para o outro lado: F·Δt = m·Δv. O lado esquerdo é o impulso da força resultante; o lado direito, com a massa constante, é a variação da quantidade de movimento, Δp. É o teorema do impulso.

Definição

Teorema do impulso

I = Δp: o impulso da força resultante sobre um corpo é igual à variação da quantidade de movimento do corpo, Δp = p depois − p antes. Vale em vetor: o impulso tem a direção e o sentido em que a quantidade de movimento mudou, não necessariamente o sentido em que o corpo anda.

Uma bola de 0,5 kg vai contra uma parede à direita e volta. O sentido positivo é declarado: para longe da parede. Antes, a seta salmão de p aponta para a parede, p = −5 kg·m/s, com v = −10 m/s. Depois, a seta aponta para longe da parede, p = +5 kg·m/s, com v = +10 m/s. Um cartão faz a conta: Δp = 5 − (−5) = 10 kg·m/s, para longe da parede, e F = 10 ÷ 0,02 = 500 N no mesmo sentido; uma seta azul mostra a força da parede sobre a bola.
Figura 8.4 — A bola vai e volta com o mesmo módulo, mas a seta virou: Δp não é zero, é o dobro de p.

Como p e I são vetores, a conta de Δp exige o combinado da série: declare o sentido positivo antes de somar. Uma bola de 0,5 kg bate na parede a 10 m/s e volta a 10 m/s. Tome como positivo o sentido "para longe da parede". Antes, v = −10 m/s e p = 0,5 × (−10) = −5 kg·m/s; depois, v = +10 m/s e p = +5 kg·m/s. A variação é Δp = 5 − (−5) = 10 kg·m/s, para longe da parede. Se o contato durou 0,02 s, a força média da parede sobre a bola foi F = Δp ÷ Δt = 10 ÷ 0,02 = 500 N — o peso de uma pessoa de 50 kg, aplicado numa bola de meio quilo, por dois centésimos de segundo.

Atenção

Impulso não é força — e "voltou igual" não é "não mudou"

Quem esquece a seta calcula Δp = 5 − 5 = 0 e conclui que a parede não fez nada. Fez: inverteu o vetor, e inverter é a maior mudança possível para um módulo que se mantém. E quem chama o impulso de força esquece o tempo: 500 N por 0,02 s são 10 N·s; 500 N por 0,2 s seriam 100 N·s. Impulso é a força vezes o tempo, e é igual a Δp.

Mais tempo, menos força: o que o airbag faz

Agora o caso inteiro cabe numa linha do teorema. F·Δt = Δp, e Δp está decidido antes de o carro bater: é a massa do ocupante vezes a velocidade que ele carrega. O corpo vai de 15 m/s a zero de qualquer jeito. O que sobra para o projeto é o Δt. Se o mesmo Δp for retirado em dez vezes mais tempo, a força cai para um décimo — é o que a tabela da seção de quantidade de movimento já anunciava com a linha da pessoa.

No alto, um cartão declara a conta comum aos dois casos: pessoa de 70 kg a 15 m/s (54 km/h) até parar, Δp = 70 × 15 = 1 050 kg·m/s, e a seta salmão de Δp é chamada de "a conta a pagar". No meio, o painel rígido: Δt = 0,01 s, valor didático, e uma seta azul comprida de força, F = 1 050 ÷ 0,01 = 105 000 N. Embaixo, airbag com cinto: Δt = 0,1 s, valor didático, e uma seta azul com um décimo do comprimento, F = 1 050 ÷ 0,1 = 10 500 N.
Figura 8.5 — A mesma conta a pagar, 1 050 kg·m/s. Em dez vezes mais tempo, a parcela cai a um décimo.

Uma pessoa de 70 kg a 54 km/h — que são 54 ÷ 3,6 = 15 m/s — carrega p = 70 × 15 = 1 050 kg·m/s. Para parar, Δp = 1 050 kg·m/s, em qualquer cenário. Suponha, como valor didático, que contra um painel rígido a parada leve 0,01 s: F = 1 050 ÷ 0,01 = 105 000 N. Com airbag e cinto, suponha, também como valor didático, 0,1 s: F = 1 050 ÷ 0,1 = 10 500 N. Dez vezes mais tempo, dez vezes menos força. Os 105 000 N são cerca de 150 vezes o peso da pessoa; os 10 500 N, cerca de 15 vezes. A diferença entre um hematoma e uma fratura está nesse fator dez — e o fator dez está no tempo.

ParadaΔt (didático)F média
painel rígido0,01 s105 000 N
airbag + cinto0,1 s10 500 N

A imagem que a série usa: impulso é a conta a pagar; força é a parcela. O airbag não diminui a conta — Δp é o mesmo, com ou sem ele. O que ele faz é parcelar em mais vezes. E os furos são o que permite parcelar: um saco que esvazia aos poucos deixa o corpo afundar nele durante toda a parada, em vez de rebater no primeiro instante.

Atenção

O airbag não protege por ser macio

"Macio" é a sensação; a física é o tempo. Um saco cheio e duro seria um painel a mais; um travesseiro que não segurasse o corpo não faria a parada. O airbag funciona porque alonga o intervalo Δt em que a mesma variação de quantidade de movimento acontece — e, pelo teorema do impulso, mais tempo com o mesmo Δp é menos força. O cinto faz a mesma coisa (esticando um pouco e segurando o corpo durante toda a frenagem), o capacete faz a mesma coisa (o forro amassa e ganha tempo) e o joelho dobrado ao pousar de um salto faz a mesma coisa.

Dica ENEM

Dica ENEM: quando a questão fala em airbag, cinto, capacete ou colchão

A resposta certa fala em tempo: "aumenta o tempo de interação, reduzindo a força média para a mesma variação de quantidade de movimento". A alternativa errada fala em diminuir a quantidade de movimento, diminuir o impulso ou "absorver o impacto" sem dizer como. Δp não muda; o impulso total não muda; o que muda é a força, porque o tempo mudou.

Impulso é área sob o gráfico F×t

Na vida real a força de uma parada não é constante: começa em zero, cresce, atinge um máximo e volta a zero. O capítulo 1 mostrou que o trabalho é a área sob o gráfico da força contra a distância; o capítulo 5, que a energia elástica é a área de um triângulo. Aqui a mesma ideia fecha o arco: o impulso é a área sob o gráfico da força contra o tempo. Para força constante, a área é o retângulo F × Δt, a própria definição; para força variável, a área continua valendo, e é ela que se iguala a Δp.

Gráfico de força em newtons contra tempo em segundos, com dois blocos preenchidos. À esquerda, o pico: um retângulo alto e estreito, salmão, de 5 000 N por 0,2 s. À direita, o morro: um retângulo baixo e largo, azul-céu, de 1 000 N por 1,0 s. Os dois carregam o mesmo rótulo, área 1 000 N·s. Embaixo, a conta: 5 000 × 0,2 = 1 000 × 1,0, o mesmo impulso, logo a mesma variação de quantidade de movimento.
Figura 8.6 — Pico alto e estreito, morro baixo e largo: a mesma área, 1 000 N·s, o mesmo impulso.

A figura desenha os dois cenários como blocos de força média, para a área ser contável. O pico: 5 000 N durante 0,2 s, área 5 000 × 0,2 = 1 000 N·s. O morro: 1 000 N durante 1,0 s, área 1 000 × 1,0 = 1 000 N·s. A mesma área com formas diferentes — logo o mesmo impulso, logo o mesmo Δp. Se esse impulso for dado a um carrinho de 50 kg parado, ele sai a v = 1 000 ÷ 50 = 20 m/s nos dois casos. O que muda entre o pico e o morro não é o resultado final; é o que o corpo sente no meio do caminho. O airbag é a decisão de trocar o pico pelo morro.

Definição

Impulso como área

No gráfico da força contra o tempo, o impulso é a área entre a curva e o eixo do tempo. Força constante: retângulo, I = F × Δt. Força que cresce e decresce em linha reta: triângulos e trapézios, somados pedaço a pedaço. Em qualquer forma, a área é igual a Δp — e duas formas diferentes com a mesma área produzem a mesma variação de quantidade de movimento.

Dica ENEM

Dica ENEM: leia a área, não a altura

Na questão com gráfico F×t, a altura máxima é distrator: 5 000 N no pico e 1 000 N no morro dão o mesmo impulso. Conte a área (retângulo: base vezes altura; triângulo: metade disso) com as unidades do eixo — newtons vezes segundos — e só então compare com Δp. Se a questão der a massa, a velocidade final sai de v = I ÷ m.

Exemplos resolvidos

Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nos exemplos deste capítulo há um passo antes dos três: declarar o sentido positivo e os instantes antes e depois. p e I são vetores; sem o sentido declarado, o sinal de Δp se perde — e com ele a resposta.

Exemplo 1 — O carro e a bala

Um carro de 1 000 kg anda a 20 m/s; uma bala de 0,02 kg voa a 500 m/s. Qual é a quantidade de movimento de cada um, e quantas vezes a do carro é maior?

Fórmula. p = m × v ; razão = p carro ÷ p bala

Substituição. p carro = 1 000 × 20 ; p bala = 0,02 × 500 ; razão = 20 000 ÷ 10

Resultado. p carro = 20 000 kg·m/s = 2 × 10⁴ kg·m/s ; p bala = 10 kg·m/s ; razão = 2 000

Conferência. a massa do carro é 50 000 vezes a da bala, mas a velocidade da bala é 25 vezes a do carro; 50 000 ÷ 25 = 2 000. Quem manda é o produto.

Exemplo 2 — O airbag

Uma pessoa de 70 kg está num carro a 54 km/h que para numa batida. Qual é a força média sobre ela se a parada levar 0,1 s (airbag e cinto) e se levar 0,01 s (painel rígido)? Os dois tempos são valores didáticos.

Fórmula. v = v (km/h) ÷ 3,6 ; Δp = m × Δv ; F = Δp ÷ Δt

Substituição. v = 54 ÷ 3,6 = 15 m/s ; Δp = 70 × 15 = 1 050 kg·m/s ; F = 1 050 ÷ 0,1 ; F = 1 050 ÷ 0,01

Resultado. com airbag e cinto: F = 10 500 N ; contra o painel: F = 105 000 N — dez vezes mais

Conferência. Δp é o mesmo nos dois casos; só o tempo mudou, e a força mudou na proporção inversa. Sentido: o de Δp, contrário ao movimento do carro antes da batida.

Exemplo 3 — A bola que bate e volta

Uma bola de 0,5 kg bate numa parede a 10 m/s e volta a 10 m/s. O contato dura 0,02 s. Qual é a variação da quantidade de movimento e a força média da parede sobre a bola? (Sentido positivo: para longe da parede.)

Fórmula. Δp = m × (v depois − v antes) ; F = Δp ÷ Δt

Substituição. Δp = 0,5 × (10 − (−10)) = 0,5 × 20 ; F = 10 ÷ 0,02

Resultado. Δp = 10 kg·m/s, para longe da parede ; F = 500 N, no mesmo sentido

Conferência. se a bola parasse na parede em vez de voltar, Δp seria só 5 kg·m/s; voltar com a mesma velocidade dobra a variação, porque a seta virou.

Exemplo 4 — O pico e o morro

Um gráfico F×t mostra um pico de 5 000 N durante 0,2 s e um morro de 1 000 N durante 1,0 s. Qual é o impulso em cada caso, e a que velocidade cada um levaria um carrinho de 50 kg inicialmente parado?

Fórmula. I = área = F × Δt ; I = Δp = m × v ⇒ v = I ÷ m

Substituição. I pico = 5 000 × 0,2 ; I morro = 1 000 × 1,0 ; v = 1 000 ÷ 50

Resultado. I pico = 1 000 N·s ; I morro = 1 000 N·s ; v = 20 m/s nos dois casos

Conferência. formas diferentes, mesma área, mesma variação de quantidade de movimento. A altura do pico é cinco vezes a do morro, e a largura é um quinto: o produto empata.

Dois painéis com um bloco de 60 kg chegando ao chão a 4 m/s. À esquerda, pernas esticadas, representadas por uma haste rígida: a parada leva 0,05 s e a seta azul da força é comprida, F = 240 ÷ 0,05 = 4 800 N. À direita, joelhos dobrados, representados por uma haste em zigue-zague: a parada leva 0,5 s e a seta da força tem um décimo do comprimento, F = 240 ÷ 0,5 = 480 N. Embaixo, a lembrança de que a variação de quantidade de movimento é a mesma, 60 × 4 = 240 kg·m/s.
Figura 8.7 — O Exemplo 5 em desenho: dobrar o joelho é o airbag do corpo — mais tempo, menos força.

Exemplo 5 — O joelho dobrado

Uma pessoa de 60 kg salta de um muro e chega ao chão a 4 m/s. Se parar com as pernas esticadas, a parada leva 0,05 s; se dobrar os joelhos, 0,5 s (valores didáticos). Qual é a força resultante média em cada caso?

Fórmula. Δp = m × Δv ; F = Δp ÷ Δt

Substituição. Δp = 60 × 4 = 240 kg·m/s ; F = 240 ÷ 0,05 ; F = 240 ÷ 0,5

Resultado. pernas esticadas: F = 4 800 N ; joelhos dobrados: F = 480 N, para cima

Conferência. 4 800 N são oito vezes o peso da pessoa (600 N); 480 N, menos que o peso. O joelho dobrado é o airbag do corpo: mesma conta, parcelada em dez vezes mais tempo.

Radar ENEM

O ENEM cobra este capítulo em três formatos. O primeiro é o próprio caso: por que o airbag, o cinto, o capacete ou o colchão protegem — a resposta certa fala em aumentar o tempo da mesma variação de quantidade de movimento. O segundo é a conta direta com o teorema do impulso: massa, velocidades e tempo dados, força pedida. O terceiro é o gráfico F×t, em que o impulso é a área.

Uma bola de 0,2 kg vai contra uma parede à esquerda e volta; o sentido positivo aponta para longe da parede. Antes, a seta salmão de p aponta para a parede, p = −1 kg·m/s; depois, aponta para longe, p = +1 kg·m/s. Um cartão traz a resposta certa, Δp = 1 − (−1) = 2 kg·m/s; outro, riscado com um X, traz o distrator Δp = 1 − 1 = 0, "não mudou nada".
Figura 8.8 — Pediu a variação da quantidade de movimento? Olhe a seta antes de subtrair. O zero está na alternativa para quem subtrai módulos.

Uma bola de 0,2 kg bate numa parede a 5 m/s e volta a 5 m/s; qual foi a variação da quantidade de movimento? Sentido positivo para longe da parede: antes, p = 0,2 × (−5) = −1 kg·m/s; depois, p = +1 kg·m/s; Δp = 1 − (−1) = 2 kg·m/s. E o distrator? Zero, "porque a velocidade não mudou de valor", para quem subtrai módulos e esquece que a seta virou; o outro é 1 kg·m/s, para quem usa só um dos lados. Na questão do airbag, o distrator diz que ele diminui a quantidade de movimento do passageiro — não diminui: Δp é o mesmo.

Dica ENEM

Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas

Resumo em cinco peças

Cinco peças: p igual a m vezes v, vetor no sentido da velocidade; I igual a F vezes delta t, vetor no sentido da força; I igual a delta p, o impulso é a variação de p; mesmo delta p em mais tempo é menos força; impulso é a área sob o gráfico F vezes t.
Figura 8.9 — O capítulo em cinco peças.
  1. p = m·v: a quantidade de movimento é vetor, no sentido da velocidade, em kg·m/s.
  2. I = F·Δt: o impulso é força vezes tempo, vetor no sentido da força, em N·s (que é kg·m/s).
  3. I = Δp: o impulso da força resultante é a variação da quantidade de movimento — sinal incluído.
  4. O mesmo Δp em mais tempo é menos força: o airbag alonga o tempo, não diminui a conta.
  5. Impulso é a área sob o gráfico F×t; pico e morro com a mesma área dão o mesmo Δp.

Se for guardar uma frase só, guarde os furos: o airbag não é macio, é demorado — e o que ele estica é o tempo, não a conta.

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