
Capítulo 5A coluna de mercúrio que pesa o mesmo que o céu
Pressão atmosférica e o barômetro
Florença, 1643: um tubo cheio de mercúrio, virado numa cuba, desce e para a 76 cm, com vácuo em cima — e o que segura a coluna não é o vácuo, é o peso de todo o ar sobre a cuba; setenta e seis centímetros de metal líquido pesam, por metro quadrado, o mesmo que o céu.
Neste capítulo você vai
- Calcular a pressão no fundo de uma coluna de líquido, p = ρ × g × h, e reconhecer que só a densidade e a altura mandam, nunca a largura do tubo
- Explicar o barômetro de Torricelli como uma balança em que 76 cm de mercúrio, ou dez metros de água, equilibram a pressão atmosférica — sustentada pelo ar sobre a cuba, não pelo vácuo
- Converter pressões entre mmHg, atm e pascal por regra de três e prever o que acontece com a coluna quando o barômetro sobe uma montanha
Assista ao episódio 5
Este capítulo acompanha o episódio 5 da série no canal. Assista antes ou depois da leitura — o vídeo é público e gratuito.
O caso: o tubo virado na cuba
Florença, 1643 — um historiador defende 1644. Evangelista Torricelli enche de mercúrio um tubo de vidro de cerca de um metro, fechado numa das pontas. Tapa a ponta aberta com o dedo, vira o tubo de cabeça para baixo, mergulha a boca numa cuba com mais mercúrio e tira o dedo. O metal líquido desce — e para. A coluna fica em pé dentro do tubo, com cerca de 76 cm de altura acima da superfície da cuba; acima dela, no topo do tubo, sobra um espaço em que não há nada: o primeiro vácuo que alguém fez de propósito.

A pergunta que Torricelli responde é: o que segura a coluna? Não é o vácuo "puxando" de cima — o vácuo não puxa nada, porque não há nada nele. É o ar. O peso de toda a atmosfera sobre a superfície livre do mercúrio na cuba empurra o líquido para dentro do tubo, e a coluna sobe até que o seu próprio peso, por unidade de área, iguale a pressão do ar. "Vivemos submersos no fundo de um oceano de ar", escreveu ele, e o capítulo 4 acabou de medir esse oceano: cerca de 10⁵ Pa ao nível do mar, dez newtons em cada centímetro quadrado, dez toneladas de força por metro quadrado.
Antes dele, Gasparo Berti tinha feito a mesma coisa com água, num tubo de mais de dez metros preso à fachada de uma casa: a coluna parou a 10,3 m. E depois dele, em setembro de 1648, a pedido de Blaise Pascal, o cunhado deste, Florin Périer, subiu o Puy de Dôme, uma montanha do centro da França, com um barômetro nas mãos: a coluna baixou conforme ele subia, porque lá em cima há menos ar em cima. Três experimentos, uma ideia só: o ar pesa, e o peso dele se mede com uma coluna de líquido.
Este capítulo faz a conta dessa coluna. Primeiro, a pressão que um líquido parado exerce no fundo de uma coluna, p = ρ × g × h, na seção da coluna. Depois, o tubo de Torricelli como uma balança de dois pratos, na seção do barômetro; a razão de o mercúrio parar a 76 cm e a água a dez metros, na seção da água; a pergunta incômoda de como o ar consegue empurrar "para cima" dentro do tubo, na seção das direções; a subida do Puy de Dôme, na seção da montanha; e, por fim, as três unidades em que a prova escreve o mesmo número — milímetro de mercúrio, atmosfera e pascal — na seção das unidades.
A pressão no fundo de uma coluna de líquido
O capítulo 4 fez a conta da atmosfera como se ela fosse uma pilha de ar: o peso da coluna dividido pela área da base. A conta era só uma aproximação para o ar, porque o ar afina com a altura. Para um líquido ela é exata, porque a água e o mercúrio quase não se comprimem: a densidade é a mesma no alto e no fundo da coluna.

Tome uma coluna de líquido de densidade ρ, área da base A e altura h. O volume é A × h; a massa é a densidade vezes o volume, ρ × A × h; o peso é a massa vezes g, ρ × A × h × g. A pressão que esse peso faz sobre a base é o peso dividido pela área — e a área aparece em cima e embaixo da fração e se cancela. Sobra p = ρ × g × h. A largura da coluna sumiu da conta: um tubo fino e um tanque largo, com a mesma altura do mesmo líquido, fazem no fundo a mesma pressão.
Definição
Pressão de uma coluna de líquido
- Um líquido parado, de densidade ρ, faz no fundo de uma coluna de altura h a pressão p = ρ × g × h — em pascal, com ρ em kg/m³, g em m/s² e h em metros.
- A pressão da coluna depende só da densidade e da altura. Não depende da largura, do formato nem do volume total de líquido.
- Pressão continua sendo um escalar: nas figuras deste livro ela é uma barra, que aqui cresce com a profundidade. A força que o líquido faz sobre a base, essa sim, é um vetor.
Dois números para calibrar a intuição. Dez centímetros de água: 1 000 × 10 × 0,10 = 1 000 Pa — mil pascals, um centésimo de atmosfera, o que os ouvidos sentem no fundo de uma piscina rasa. Um metro de água: 10⁴ Pa, um décimo de atmosfera. E 76 cm de mercúrio, que é 13,6 vezes mais denso que a água: 13 600 × 10 × 0,76 = 103 360 Pa ≈ 1,03 × 10⁵ Pa. Cento e três mil pascals, com as constantes arredondadas deste livro; com a densidade exata do mercúrio e g = 9,81 m/s², a conta dá 101 325 Pa — exatamente a atmosfera padrão. Não é coincidência, e a próxima seção explica por quê.
Atenção
A altura é a vertical, não o comprimento do tubo
O h da fórmula é a diferença de nível entre a superfície livre do líquido e o ponto em que se mede a pressão, medida na vertical. Num tubo inclinado, o líquido ocupa mais tubo, mas a altura que conta é a projeção vertical. A prova gosta de dar o comprimento do tubo e o ângulo para ver quem usa o comprimento no lugar da altura.
O barômetro: uma balança de dois pratos
Volte ao tubo. Quando Torricelli tira o dedo, o mercúrio começa a descer, e o espaço que ele deixa no topo do tubo fica vazio: não entra ar, porque o tubo é fechado, e o mercúrio quase não evapora. A pressão ali em cima é, para todos os efeitos, zero. Embaixo, na superfície livre da cuba, o ar empurra com uma atmosfera. Dentro do tubo, na altura dessa mesma superfície, a pressão é a do peso da coluna de mercúrio: ρ × g × h.

A coluna para quando as duas pressões se igualam: a do ar sobre a cuba, empurrando para dentro do tubo, e a da coluna, empurrando para fora. ρ × g × h = p atmosférica. Se a coluna fosse mais alta que isso, o peso dela venceria e o mercúrio desceria; se fosse mais baixa, o ar venceria e o empurraria para cima. Os 76 cm são a altura em que a balança fecha. Pense num prato com o céu inteiro, do chão até onde a atmosfera acaba, e no outro prato setenta e seis centímetros de metal líquido: quando os dois pesam igual, por metro quadrado, a coluna fica parada. Esse é o barômetro, o instrumento que mede a pressão do ar pela altura de uma coluna de mercúrio.
Definição
Barômetro de mercúrio
- Um tubo fechado em cima, cheio de mercúrio e invertido numa cuba. No topo, vácuo: pressão zero. Na superfície da cuba, a pressão atmosférica.
- A coluna para na altura h em que ρ × g × h = p₀, a pressão do ar. Ao nível do mar, h ≈ 76 cm = 760 mm.
- A altura da coluna é a medida da pressão: mais ar em cima, coluna mais alta; menos ar, coluna mais baixa. O barômetro não mede o vácuo; mede o ar.
Com as constantes deste livro, 13 600 × 10 × 0,76 = 1,03 × 10⁵ Pa — a série arredonda para "cerca de cem mil pascals, uma atmosfera", e o desvio de 3 por cento vem do arredondamento de g e da densidade; com os valores exatos, 13 595 kg/m³ e 9,81 m/s², a mesma coluna dá 101 325 Pa. A leitura importante é outra: o barômetro de Torricelli pesa o céu. Setenta e seis centímetros de mercúrio, sobre um metro quadrado, pesam o mesmo que a coluna de ar que vai daquele metro quadrado até o fim da atmosfera — dez toneladas de metal contra dez toneladas de ar. E se o tubo fosse levado à Lua, onde a Mecânica III encontrou pressão zero na superfície porque não há ar em cima, a coluna desceria até o nível da cuba: sem ar para empurrar, nada segura o mercúrio.
Dica ENEM
Dica ENEM: quem segura a coluna é o ar, não o vácuo
A frase "o vácuo puxa o mercúrio para cima" aparece nas alternativas de quase toda questão sobre Torricelli, e está errada: o vácuo é ausência de pressão, e ausência não puxa. Quem segura a coluna é a pressão atmosférica sobre a superfície da cuba. Teste: se o tubo fosse aberto em cima, entraria ar, a pressão em cima ficaria igual à de baixo, e a coluna desceria até o nível da cuba — o mesmo vácuo "puxando" não a seguraria.
Setenta e seis centímetros de mercúrio, dez metros de água
Berti fez o experimento antes de Torricelli, com água, e precisou de um tubo de mais de dez metros preso à fachada de uma casa. A conta diz por quê. Se a pressão do ar segura uma coluna que faz ρ × g × h = 10⁵ Pa, a altura da coluna é h = p ÷ (ρ × g). Para a água, 10⁵ ÷ (1 000 × 10) = 10 m. Para o mercúrio, 10⁵ ÷ (13 600 × 10) ≈ 0,74 m — os 76 cm medidos, com o arredondamento das constantes. A razão entre as duas alturas é a razão inversa entre as densidades: 13,6. A coluna de água é 13,6 vezes mais alta porque a água é 13,6 vezes menos densa.

Dez metros de água é o arredondamento da série; com as constantes exatas a coluna tem 10,35 m, e os 10,3 m de Berti são a medida. Esse número volta no capítulo 6, no fundo do mar: cada dez metros de água acrescentam uma atmosfera à pressão. E ele explica uma limitação que todo encanador conhece: nenhuma bomba instalada na superfície consegue "puxar" água de um poço com mais de dez metros de profundidade. A bomba não puxa — ela retira o ar do tubo, e quem empurra a água tubo acima é a atmosfera, apertando a superfície do poço. A atmosfera consegue empurrar, no máximo, dez metros de água; um poço de quinze metros pede uma bomba lá embaixo, que empurre em vez de sugar.
| Líquido | Densidade (kg/m³) | Coluna de 1 atm |
|---|---|---|
| mercúrio | 13 600 | 76 cm |
| água | 1 000 | 10 m |
| óleo | cerca de 900 | 11 m |
Atenção
Sucção não é puxão
"Sugar" um líquido por um canudo, por uma bomba ou por uma seringa é retirar o ar de dentro do tubo e deixar que a pressão atmosférica de fora empurre o líquido para dentro. O limite é a própria atmosfera: dez metros de água, 76 cm de mercúrio. Um canudo de onze metros não funciona nem para o pulmão mais forte do mundo — não porque falte força a quem suga, mas porque falta ar para empurrar.
O ar empurra em todas as direções
Há uma pergunta que incomoda quem olha o tubo pela primeira vez. O ar pesa para baixo; então como é que ele empurra o mercúrio para cima, dentro do tubo, onde a boca do tubo está mergulhada e o ar nem chega? A resposta é a que o capítulo 4 plantou: a pressão, em cada ponto de um fluido, age em todas as direções. O ar aperta a superfície livre da cuba de cima para baixo, e o mercúrio, que é um líquido, transmite essa pressão para todos os lados dentro dele — inclusive para cima, na boca do tubo.

O argumento se fecha com uma regra que o capítulo 6 demonstra e que aqui basta enunciar: num líquido parado, dois pontos na mesma altura têm a mesma pressão. Tome três pontos no nível da superfície da cuba: um fora do tubo, à esquerda; outro fora, à direita; outro dentro do tubo, na boca. Os dois de fora estão na superfície livre, em contato com o ar, a uma atmosfera. O de dentro está na mesma altura, no mesmo líquido; logo, também está a uma atmosfera — e é essa atmosfera, aplicada na boca do tubo, que sustenta os 76 cm acima dela. O ar não "sobe pelo tubo"; ele aperta a cuba, e a cuba transmite.
Definição
A pressão não tem direção; a força tem
- Em cada ponto de um fluido em repouso, a pressão é a mesma em todas as direções. Não faz sentido dizer "a pressão para baixo": pressão é um número em cada ponto.
- A força que a pressão faz sobre uma superfície tem direção: é perpendicular à superfície, e aponta para ela — sobre a cuba, para baixo; sobre a boca do tubo, para cima; sobre a parede lateral, para o lado.
- Num líquido parado, pontos na mesma altura têm a mesma pressão. É a regra que liga o ar de fora do tubo ao mercúrio de dentro.
Duas consequências que a prova adora. Se o tubo for inclinado, a coluna se estende ao longo do tubo, mas a altura vertical acima da cuba continua sendo 76 cm — a pressão depende da altura, não do comprimento. E se o tubo for mais largo, ou mais estreito, a altura não muda: um tubo do dobro do diâmetro tem quatro vezes mais mercúrio, mas quatro vezes mais área na boca, e a pressão, que é força por área, é a mesma. É o que a fórmula p = ρ × g × h já dizia ao cancelar a área.
Dica ENEM
Dica ENEM: inclinou, alargou, trocou o líquido
- Inclinou o tubo: a altura vertical da coluna continua 76 cm; o mercúrio ocupa mais tubo. A alternativa "a coluna diminui" está errada.
- Alargou o tubo: a altura continua 76 cm; a largura não entra em ρ × g × h.
- Trocou o líquido: a altura muda na razão inversa das densidades — água, 13,6 vezes mais alta.
- Subiu a montanha: a altura diminui, porque há menos ar em cima. É a próxima seção.
Puy de Dôme: a prova de que é o ar
Torricelli tinha a explicação certa, mas faltava uma prova que só o ar pudesse dar. Pascal a desenhou: se a coluna é sustentada pelo peso do ar de cima, então, subindo uma montanha, fica menos ar em cima — e a coluna tem de descer. Em setembro de 1648, Périer, cunhado dele, levou um barômetro à base do Puy de Dôme, anotou a altura da coluna, subiu cerca de mil metros até o cume e mediu de novo: a coluna estava vários centímetros mais baixa. Desceu, mediu de novo na base: a altura de antes. Estava provado. Era o ar.

Quanto ela deveria descer? A conta do capítulo 4, com o ar tratado como uniforme perto do chão, dá a previsão. Mil metros de ar a 1,2 kg/m³ pesam, por metro quadrado, Δp = ρ × g × Δh = 1,2 × 10 × 1 000 = 12 000 Pa. Em mercúrio, essa pressão vale uma coluna de 12 000 ÷ (13 600 × 10) ≈ 0,088 m — cerca de 9 cm. O ar real não é uniforme, e o número histórico medido por Périer não é o assunto deste livro; o que importa é a ordem de grandeza, alguns centímetros em mil metros, e o sinal: para cima, a coluna desce. O Exemplo 3 refaz a conta.
O mesmo raciocínio faz do barômetro um instrumento de duas leituras. Numa altitude fixa, a coluna sobe e desce um pouco de um dia para o outro conforme muda a quantidade de ar sobre o lugar — e é por isso que ele antecipa o tempo: a pressão que cai costuma anunciar chuva. E numa altitude diferente, a coluna muda muito: a 11 km, onde o capítulo 4 encontrou 22 632 Pa, um barômetro marcaria 0,22 × 76 ≈ 17 cm; no cume do Everest, com cerca de 34 kPa, cerca de 26 cm. Quanto menos ar em cima, menos mercúrio a atmosfera consegue segurar.
Atenção
"A coluna baixou" não quer dizer "o mercúrio ficou mais leve"
O mercúrio pesa o mesmo em qualquer altitude que a prova use. O que mudou foi o outro prato da balança: com menos ar em cima, a pressão atmosférica é menor, e uma coluna menor basta para igualá-la. Numa questão, a resposta certa fala de menos ar sobre o lugar, não de mercúrio, de vácuo ou de temperatura.
Três nomes para o mesmo número: mmHg, atm e pascal
O barômetro de Torricelli deixou uma herança nas unidades. Como a pressão do ar se media pela altura da coluna, ficou natural dizer a pressão em milímetros de mercúrio: ao nível do mar, 760 mmHg. A unidade prática atmosfera é exatamente essa pressão: 1 atm = 760 mmHg. E, no SI, 1 atm = 101 325 Pa — que este livro arredonda para 1,0 × 10⁵ Pa. São três nomes para o mesmo número, e a prova troca de nome no meio do enunciado sem avisar.

Definição
As unidades de pressão do barômetro
- 1 atm = 760 mmHg = 101 325 Pa ≈ 1,0 × 10⁵ Pa. Nas contas deste livro, 1 atm ≈ 10⁵ Pa.
- 1 mmHg ≈ 133 Pa (101 325 ÷ 760). É a pressão de uma coluna de mercúrio de um milímetro.
- Para converter, use regra de três com o par 760 mmHg de um lado e 10⁵ Pa do outro: 380 mmHg são metade de 760, logo 0,5 atm, logo 5 × 10⁴ Pa.
| Unidade | Uma atmosfera | Onde aparece |
|---|---|---|
| mmHg | 760 | barômetro, pressão arterial |
| atm | 1 | mergulho, gases |
| Pa | 1,0 × 10⁵ | toda conta no SI |
O milímetro de mercúrio sobrevive num lugar que todo mundo conhece: a pressão arterial. "Doze por oito" são 120 mmHg na contração do coração e 80 mmHg no relaxamento — medidas acima da pressão atmosférica, que é o zero do aparelho. Em pascal, 120 mmHg são 120 ÷ 760 de uma atmosfera, cerca de 1,6 × 10⁴ Pa: as artérias mantêm o sangue a um sexto de atmosfera acima do ar de fora, e foi essa pressão que, no capítulo 4, impediu o sangue de ferver acima do limite de Armstrong.
Dica ENEM
Dica ENEM: 760 de um lado, 10⁵ do outro
Toda conversão desta seção é uma regra de três com 760 mmHg = 1 atm = 10⁵ Pa. Se a questão der 570 mmHg, faça 570 ÷ 760 = 0,75 atm = 7,5 × 10⁴ Pa. Se der 2 × 10⁵ Pa, são 2 atm = 1 520 mmHg. O tropeço clássico é multiplicar milímetros por 100 "para dar pascal": 380 mmHg não são 38 000 Pa, são 50 000. A vírgula andou porque um milímetro de mercúrio vale 133 Pa, não 100.
Exemplos resolvidos
Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nos problemas de coluna, o passo anterior aos três é a altura: em metros, com 76 cm = 0,76 m e 760 mm = 0,76 m.
Exemplo 1 — O peso do céu em 76 cm
A coluna do barômetro de Torricelli tem 76 cm de mercúrio, de densidade 13 600 kg/m³. Qual é a pressão que ela exerce na altura da superfície da cuba? Use g = 10 m/s².
Fórmula. p = ρ × g × h
Substituição. p = 13 600 × 10 × 0,76
Resultado. p ≈ 1,03 × 10⁵ Pa
Conferência. cento e três mil pascals, cerca de uma atmosfera; com a densidade exata e g = 9,81, dá 101 325 Pa. A coluna para porque essa pressão iguala a do ar sobre a cuba.
Exemplo 2 — O barômetro de água
Que altura teria a coluna se o tubo de Torricelli fosse cheio de água, de densidade 1 000 kg/m³, com a pressão atmosférica de 1,0 × 10⁵ Pa? Use g = 10 m/s².
Fórmula. ρ × g × h = p₀, logo h = p₀ ÷ (ρ × g)
Substituição. h = 10⁵ ÷ (1 000 × 10)
Resultado. h = 10 m
Conferência. 13,6 vezes os 0,74 m do mercúrio; Berti mediu 10,3 m, e as constantes exatas dão 10,35 m. É a altura máxima de que uma bomba na superfície tira água.
Exemplo 3 — A previsão para o Puy de Dôme
Subindo 1 000 m, quanto a coluna de mercúrio deveria descer, se o ar tivesse densidade uniforme de 1,2 kg/m³? Use g = 10 m/s². (Previsão declarada; o ar real afina com a altura.)
Fórmula. Δp = ρ do ar × g × Δh ; queda da coluna = Δp ÷ (ρ do mercúrio × g)
Substituição. Δp = 1,2 × 10 × 1 000 = 12 000 Pa ; queda = 12 000 ÷ (13 600 × 10)
Resultado. queda ≈ 0,088 m, cerca de 9 cm
Conferência. 12 000 Pa são 12 por cento de uma atmosfera, e 12 por cento de 76 cm dão 9 cm. A coluna de 76 cm passaria a cerca de 67 cm no cume.

Exemplo 4 — Uma atmosfera numa vidraça
Uma vidraça tem 1 m² de área. Que força o ar, a 1,0 × 10⁵ Pa, exerce sobre cada face dela? Por que ela não quebra?
Fórmula. F = p × A
Substituição. F = 10⁵ × 1
Resultado. F = 10⁵ N em cada face — o peso de dez toneladas
Conferência. 10⁵ N ÷ 10 m/s² = 10⁴ kg = 10 t. As duas faces recebem a mesma força em sentidos opostos, e a resultante é zero. O que quebra vidro é diferença de pressão, e aqui não há nenhuma.
Exemplo 5 — O barômetro na cidade alta
Numa cidade alta, um barômetro marca 640 mmHg. Quanto vale a pressão atmosférica ali em atmosferas e em pascals? Use 760 mmHg = 1 atm = 1,0 × 10⁵ Pa. (Números de exercício.)
Fórmula. regra de três: p ÷ 10⁵ = 640 ÷ 760
Substituição. 640 ÷ 760 = 0,84 ; p = 0,84 × 10⁵
Resultado. 0,84 atm ; p ≈ 8,4 × 10⁴ Pa
Conferência. a coluna baixou 120 mm, cerca de 16 por cento, porque há menos ar em cima. Com 1 mmHg ≈ 133 Pa, 640 × 133 ≈ 85 000 Pa, o mesmo número dentro do arredondamento.
Radar ENEM
O ENEM cobra este capítulo com quatro perguntas, e a primeira é o próprio tubo: o que sustenta a coluna de mercúrio. A resposta é a pressão atmosférica sobre a superfície da cuba; o distrator, plantado em quase toda questão, é "o vácuo puxa o mercúrio". A segunda é a conta da coluna, p = ρ × g × h, quase sempre com a altura em centímetros ou milímetros para ver quem esquece de converter. A terceira é a conversão de unidades, 760 mmHg = 1 atm = 10⁵ Pa, por regra de três. A quarta é qualitativa: o barômetro em outra altitude, ou com o tubo inclinado, ou mais largo, ou com outro líquido — e a resposta sai da fórmula, que só tem densidade e altura.

Com números de exercício: um barômetro de água, tubo de 12 m, ao nível do mar — a coluna para em 10 m, e os 2 m de cima ficam vazios, porque 1 000 × 10 × 10 = 10⁵ Pa é tudo o que a atmosfera sustenta. Uma coluna de 570 mmHg é 570 ÷ 760 = 0,75 atm = 7,5 × 10⁴ Pa. E, na montanha, a coluna que marcava 76 cm passa a marcar menos, porque a pressão atmosférica diminuiu; o mercúrio pesa o mesmo.
Dica ENEM
Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas
- "O vácuo puxa" — o vácuo não faz força; quem segura a coluna é o ar sobre a cuba (seção do barômetro).
- Usar a altura em centímetros — 13 600 × 10 × 76 dá dez milhões, não cem mil; a altura entra em metros (Exemplo 1).
- Achar que a largura do tubo muda a altura — p = ρ × g × h não tem área; tubo largo ou fino, 76 cm.
- Trocar comprimento por altura no tubo inclinado — conta a altura vertical, não o comprimento do mercúrio no tubo.
- Multiplicar mmHg por 100 — 1 mmHg vale cerca de 133 Pa; use a regra de três com 760 de um lado e 10⁵ do outro (Exemplo 5).
- Dizer que o mercúrio "fica mais leve" na montanha — o que diminui é o ar em cima, não o peso do mercúrio (Exemplo 3).
Resumo em cinco peças

- A pressão no fundo de uma coluna de líquido é p = ρ × g × h: só a densidade e a altura mandam; a largura e o formato não entram.
- 76 cm de mercúrio = 10 m de água = 1 atm ≈ 10⁵ Pa — a mesma pressão em três colunas e três unidades; 1 mmHg ≈ 133 Pa.
- Quem segura a coluna é o ar sobre a cuba, não o vácuo: a pressão age em todas as direções, e pontos na mesma altura de um líquido parado têm a mesma pressão.
- Subiu, a coluna desce: com menos ar em cima a pressão atmosférica é menor, e uma coluna menor basta. O Puy de Dôme provou que é o ar.
- Nenhuma sucção tira água de mais de dez metros: quem empurra a água tubo acima é a atmosfera, e ela só sustenta dez metros.
Se for guardar uma frase só, guarde a balança: num prato, o céu inteiro; no outro, setenta e seis centímetros de mercúrio — e os dois pesam o mesmo.
Lista de exercícios no app
APP GRATUITO · CANARINHO
Lista completa de exercícios no app Canarinho
As 20 questões do capítulo, com correção na hora e o comentário de cada alternativa. App gratuito e aberto, sem cadastro. A teoria e os exemplos resolvidos estão todos aqui no livro; a lista é o treino.

