
Capítulo 6A esfera que desceu a mil atmosferas
A lei de Stevin
23 de janeiro de 1960: dois homens numa esfera de aço de dois metros descem por quase cinco horas até 10 916 m; a nove mil, uma janela racha e o casco treme. No fundo, mais de mil atmosferas de fora, uma só de dentro — e o que a parede segura é a diferença.
Neste capítulo você vai
- Aplicar a lei de Stevin, p = p₀ + ρ × g × h, e reconhecer que a pressão num líquido parado depende só da profundidade e da densidade, nunca do formato do recipiente
- Usar a régua do mergulhador, uma atmosfera a cada dez metros de água, e distinguir a pressão absoluta, que conta o ar de cima, da manométrica, que conta só a coluna
- Explicar por que o que esmaga uma parede é a diferença de pressão entre os dois lados, por que a esfera é esfera e por que embaixo de um corpo submerso a pressão é maior do que em cima
Assista ao episódio 6
Este capítulo acompanha o episódio 6 da série no canal. Assista antes ou depois da leitura — o vídeo é público e gratuito.
O caso: a esfera no fundo da fossa
Vinte e três de janeiro de 1960. Dois homens, Jacques Piccard e Don Walsh, estão fechados numa esfera de aço de 2,16 m de diâmetro, com paredes de 127 mm — quase treze centímetros de metal. A esfera está presa embaixo de um flutuador de 15 m, cheio de gasolina, e o conjunto se chama Trieste: um batiscafo, um navio feito para descer. Naquela manhã ele desce no ponto mais fundo de todos os oceanos, a Fossa das Marianas, no Pacífico. A descida leva quatro horas e quarenta e sete minutos — pouco mais de meio metro por segundo, em média. Ao passar de 9 000 m, uma das janelas externas, de acrílico, racha, e o batiscafo inteiro treme. Eles continuam. Param no fundo: 10 916 m de profundidade (o instrumento de bordo marcou 11 521, e a medida foi corrigida depois). Ficam vinte minutos. E sobem.

Lá fora, no fundo, a pressão da água é de mais de mil atmosferas — mais de uma tonelada de força em cada centímetro quadrado da esfera. Lá dentro, uma atmosfera, a mesma do ar que os dois homens respiravam na superfície. A esfera tinha sido projetada para suportar 1 250 quilogramas-força por centímetro quadrado, uma margem de cerca de 12 por cento sobre o que encontrou. Essa margem, e o formato dela, são o motivo de os dois terem voltado.
O capítulo 5 terminou com uma vidraça: dez toneladas de força de cada lado, resultante zero, o vidro não sente nada. Aqui a conta muda de lado. De um lado da parede de aço há mil e tantas atmosferas; do outro, uma. A diferença é o que a esfera segura — e a diferença é o que este capítulo aprende a calcular. A ferramenta é a lei de Stevin: a pressão num ponto de um líquido parado é a pressão de cima mais a da coluna que está sobre ele, na seção da lei. Dela sai a regra do mergulhador, uma atmosfera a cada dez metros, na seção dos dez metros; a descida da esfera, com a barra de pressão crescendo até o fundo, na seção da descida; a diferença entre a pressão que um manômetro marca e a pressão que existe, na seção da manométrica; o que de fato esmaga, na seção da esfera; e, por fim, uma observação sobre um cubo submerso que planta a força do capítulo 8, na seção do cubo.
A lei de Stevin: a pressão de cima mais a coluna
O capítulo 5 calculou a pressão que uma coluna de líquido faz no fundo: p = ρ × g × h, só a densidade e a altura. Mas a coluna do barômetro tinha vácuo em cima — pressão zero no topo. Um mergulhador não tem vácuo em cima: tem o mar, e, sobre o mar, o ar. A pressão que ele sente a uma profundidade h é a soma de duas parcelas: a pressão que já existia na superfície, feita pela atmosfera, e a que a coluna de água acrescenta.

Esse é o enunciado de Simon Stevin, matemático e engenheiro dos Países Baixos que, no fim do século XVI, escreveu a hidrostática antes de Torricelli e de Pascal: p = p₀ + ρ × g × h. O termo p₀ é a pressão na superfície livre — ao ar livre, a atmosférica, cerca de 10⁵ Pa. O termo ρ × g × h é a coluna do capítulo 5. E h é a profundidade do ponto abaixo da superfície, medida na vertical. Num lago, a dez metros de profundidade, a coluna acrescenta 1 000 × 10 × 10 = 10⁵ Pa, uma atmosfera, e a pressão total é 2 × 10⁵ Pa: duas atmosferas, uma do ar e uma da água.
Definição
Lei de Stevin
- Num líquido parado, de densidade ρ, a pressão a uma profundidade h abaixo da superfície livre é p = p₀ + ρ × g × h, em que p₀ é a pressão na superfície (ao ar livre, a atmosférica).
- Entre dois pontos do mesmo líquido, a diferença de pressão depende só da diferença de nível entre eles: Δp = ρ × g × Δh. Dois pontos na mesma altura têm a mesma pressão.
- A profundidade h é medida na vertical, da superfície ao ponto. O formato do recipiente, a largura e a quantidade total de líquido não entram.
A segunda linha da definição é a que o capítulo 5 usou sem demonstrar, quando ligou o ar de fora do tubo de Torricelli ao mercúrio de dentro: dois pontos na mesma altura de um líquido parado têm a mesma pressão. Ela sai da fórmula diretamente — mesma profundidade h, mesma pressão. E a terceira linha, que parece uma observação, é uma das ideias mais testadas da hidrostática: a pressão não depende do formato do recipiente. Um copo estreito, uma banheira e um lago, cheios de água até a mesma altura, fazem no fundo a mesma pressão. O lago tem milhões de vezes mais água, mas a água a mais está ao lado, não em cima; e o que pesa sobre cada centímetro quadrado do fundo é só a coluna que está sobre ele.

Atenção
A profundidade se mede da superfície livre, não do fundo
O h de Stevin é a distância vertical entre a superfície livre do líquido e o ponto. Num tanque de 8 m de água, um ponto a 2 m do fundo está a 6 m de profundidade, e é 6 que entra na fórmula. A prova dá a altura do tanque e a distância do fundo justamente para ver quem soma, quem subtrai e quem usa o número errado.
Uma atmosfera a cada dez metros
A conta do lago dá uma régua que todo mergulhador conhece. Dez metros de água doce fazem 1 000 × 10 × 10 = 10⁵ Pa — uma atmosfera. No mar a água é um pouco mais densa, por causa do sal: 1 025 kg/m³, e este é o número que o livro usa para o mar de agora em diante. Dez metros de mar fazem 1 025 × 10 × 10 = 102 500 Pa, dois e meio por cento a mais que a atmosfera; para a régua do mergulhador, é a mesma coisa. Cada dez metros de água acrescentam uma atmosfera. A 20 m, o mergulhador tem duas atmosferas de água em cima, mais uma de ar: três no total. A 30 m, quatro. E a 10 916 m, o fundo da fossa, mais de mil.

A imagem que ajuda é uma pilha de cobertores. O primeiro cobertor é o ar: uma atmosfera, que já pesa sobre quem está na superfície. Cada dez metros de água é mais um cobertor, do mesmo peso. A três metros, no fundo de uma piscina, o mergulhador está sob o cobertor do ar e mais três décimos de outro: 1 000 × 10 × 3 = 3 × 10⁴ Pa a mais, cerca de trinta por cento a mais que na superfície — quase um terço — e é isso que os ouvidos sentem. A esfera do Trieste, no fundo, estava debaixo de mais de mil cobertores de água, e do cobertor do ar em cima de todos. Dentro dela havia um só.
Definição
A régua dos dez metros
- Dez metros de água ≈ 1 atm (10⁵ Pa com água doce; 102 500 Pa com a água do mar, a 1 025 kg/m³).
- A pressão a uma profundidade h, em atmosferas, é 1 + h ÷ 10: uma do ar, mais uma para cada dez metros.
- A régua vale para a água, que quase não se comprime; no ar, como o capítulo 4 mostrou, a densidade cai com a altura e a regra não é linear.
Dica ENEM
Dica ENEM: a atmosfera de cima
Quando a questão pede a pressão "total" ou "absoluta" num ponto submerso, a resposta tem a atmosfera do ar somada; quando pede "a pressão exercida pela água" ou "o acréscimo de pressão", é só ρ × g × h. A alternativa errada mais comum a 20 m de profundidade é 2 atm — a coluna sem o ar — quando a pergunta era pela pressão total, 3 atm. Leia a pergunta antes de fazer a conta.
A descida: a barra que cresce até o fundo
Volte à esfera. A descida é a lei de Stevin se cumprindo metro a metro: a cada instante, a pressão do lado de fora é a atmosfera mais 1 025 × 10 × h, e h cresce por quase cinco horas. A figura desenha o corte do mar fora de escala — o fundo está a 10 916 m, e a esfera tem 2,16 m; em escala, ela seria um ponto invisível, cinco mil vezes menor que a coluna — e, ao lado, a barra de pressão nas profundidades que importam.

A 10 m, a coluna do mar acrescenta 102 500 Pa: uma atmosfera. A 3 000 m, 1 025 × 10 × 3 000 = 3,1 × 10⁷ Pa, cerca de 308 atmosferas. A 9 000 m, onde a janela rachou, 1 025 × 10 × 9 000 = 9,2 × 10⁷ Pa — cerca de novecentas e vinte atmosferas com as constantes deste livro, 894 com as exatas. E no fundo, a 10 916 m, a conta que dá título ao capítulo: 1 025 × 10 × 10 916 = 1,12 × 10⁸ Pa de coluna, mais a atmosfera de cima, que a essa altura não muda nem o segundo algarismo: 1,12 × 10⁸ Pa, cerca de 1 120 atmosferas. Com g = 9,81 m/s² e a atmosfera exata, 1 084. A série diz "mais de mil", e as duas contas concordam nisso.
Repare na proporção. A barra de pressão da coluna é proporcional à profundidade, porque a fórmula é uma reta em h: entre 9 000 e 10 916 m a barra cresce na razão 10 916 ÷ 9 000 ≈ 1,21 — 21 por cento, ou 1 025 × 10 × 1 916 ≈ 1,96 × 10⁷ Pa, quase duzentas atmosferas a mais nos últimos dois quilômetros. A janela rachou a novecentas atmosferas; a esfera de aço, projetada para mil duzentas e cinquenta, seguiu até mil cento e vinte.
Atenção
Pressão não é peso — a balança marcaria o mesmo
A Mecânica III mostrou que a balança marca o peso, a força que a Terra faz sobre o corpo. Se fosse possível levar uma balança de banheiro ao fundo da fossa e pesar a esfera fora d'água, ela marcaria o mesmo que na superfície: g não muda com a profundidade em nada que a prova meça. O que muda é a pressão da água em volta — força por área, feita pelo fluido, não pela Terra. Mil atmosferas não deixam a esfera "mais pesada"; deixam-na apertada por todos os lados.
Pressão absoluta e pressão manométrica
A fórmula de Stevin tem duas parcelas, e a prova dá nome a cada uma. A soma inteira, p₀ + ρ × g × h, é a pressão absoluta: a pressão que de fato existe no ponto, contando o ar de cima. Só a coluna, ρ × g × h, é a pressão manométrica: quanto a pressão do ponto está acima da atmosférica. O nome vem do instrumento: um manômetro comum, o de pneu ou o do consultório, tem a atmosfera dos dois lados e marca zero ao ar livre — ele mede a diferença em relação ao ar, não a pressão total.

No fundo da piscina de 3 m, a manométrica é 3 × 10⁴ Pa, 0,3 atm, e a absoluta é 1,3 × 10⁵ Pa, 1,3 atm. No fundo da fossa, a manométrica é 1,119 × 10⁸ Pa e a absoluta 1,120 × 10⁸ Pa: a atmosfera do ar vale menos de um milésimo do total, e por isso, nas contas do Trieste, este livro arredonda as duas para 1,12 × 10⁸ Pa. A diferença entre absoluta e manométrica é sempre uma atmosfera, em qualquer profundidade — o que muda é quanto essa atmosfera representa.
Definição
Absoluta e manométrica
- Pressão absoluta: p = p₀ + ρ × g × h — a pressão total no ponto, com a atmosfera de cima incluída. É a que entra nas leis dos gases e a que a esfera sente do lado de fora.
- Pressão manométrica: ρ × g × h — quanto a pressão está acima da atmosférica; é o que marca um manômetro aberto ao ar. Ao ar livre, manométrica zero.
- Absoluta = manométrica + 1 atm. A pressão que o posto calibra no pneu, a pressão arterial "de 120 mmHg" e o manômetro do mergulhador são leituras manométricas.
Dica ENEM
Dica ENEM: leia o manômetro como diferença
Se a questão diz que um manômetro no fundo de um tanque marca 2 × 10⁵ Pa, a pressão absoluta ali é 3 × 10⁵ Pa — o manômetro não contou a atmosfera. Se diz que a pressão absoluta é 3 × 10⁵ Pa e pergunta a altura da água, a coluna vale só 2 × 10⁵ Pa: h = 2 × 10⁵ ÷ (1 000 × 10) = 20 m. Somar ou subtrair a atmosfera na hora errada é o erro mais barato da hidrostática, e o mais cobrado.
O que esmaga é a diferença: por isso a esfera é esfera
Agora a pergunta do caso: o que a parede de aço precisava suportar? Não é "mil atmosferas". A vidraça do capítulo 5 tinha uma atmosfera de cada lado e não sentia nada, porque uma parede só sente a diferença entre as pressões dos dois lados. Do lado de fora da esfera, no fundo, 1 120 atm; do lado de dentro, o ar que os dois homens respiravam: 1 atm. A diferença é 1 119 atm — e, sobre cada centímetro quadrado da parede, isso é uma força de 1,12 × 10⁸ × 10⁻⁴ ≈ 1,1 × 10⁴ N, o peso de mais de uma tonelada, apontando para dentro. Se a pressão de dentro também fosse mil atmosferas, a parede não sentiria nada; é por isso que os peixes do fundo não são esmagados. A esfera do Trieste, cheia de ar a uma atmosfera, sente tudo.

E por que uma esfera? Porque a pressão age em todas as direções, perpendicular a cada pedaço da parede, e numa esfera todos os pedaços são iguais: a força aponta para o centro em toda parte, e o aço fica comprimido por igual, sem nenhum lugar que se dobre antes dos outros. Uma parede plana, ou uma caixa, tem meio e tem quinas: o meio dobra para dentro, e a quina concentra o esforço. A esfera é a forma que não tem meio. A parede de 127 mm é cerca de 6 por cento do diâmetro; o diâmetro interno, o que sobrava para os dois homens, era de cerca de 1,9 m.
Atenção
"Uma tonelada em cada centímetro quadrado esmaga a janela para dentro" — só se de dentro houver uma atmosfera
A frase da série está certa, mas pela metade se não disser o outro lado. A tonelada é a força de fora; do lado de dentro há uma atmosfera, dez newtons no mesmo centímetro quadrado, e a diferença é o que a parede segura. Uma questão pode inverter: um recipiente fechado a uma atmosfera, levado ao vácuo, sofre uma atmosfera de dentro para fora e pode estourar — a lata que incha. A regra é a mesma: diferença entre os dois lados.
Dica ENEM
Dica ENEM: a parede sente a diferença
- Dois lados à mesma pressão: resultante zero, a parede não sente nada (a vidraça, o corpo humano ao ar livre).
- De fora maior que de dentro: a parede é empurrada para dentro — a esfera, o submarino, a lata amassada quando o ar de dentro esfria.
- De dentro maior que de fora: a parede é empurrada para fora — o pneu, a panela de pressão, o balão.
- Em qualquer caso, a força sobre um pedaço de parede é a diferença de pressão vezes a área.
Embaixo, a pressão é maior do que em cima: o cubo submerso
Há uma consequência de Stevin que parece pequena e é a origem de uma força inteira. Tome um cubo de 10 cm de aresta mergulhado em água doce, com a face de cima a 1 m de profundidade. A pressão na face de cima é 10⁵ + 1 000 × 10 × 1 = 1,1 × 10⁵ Pa; a face de baixo está 10 cm mais fundo, a 1,1 m, e a pressão ali é 1,11 × 10⁵ Pa. A diferença é ρ × g × Δh = 1 000 × 10 × 0,1 = 1 000 Pa — pequena diante de cento e dez mil, mas diferente de zero. Embaixo, a pressão é sempre maior do que em cima.

Agora transforme pressão em força, com a área da face, 0,01 m². Nas quatro faces laterais, cada par de faces opostas está à mesma profundidade e recebe forças iguais em sentidos contrários: cancelam. Na face de cima, a água empurra para baixo com 1,1 × 10⁵ × 0,01 = 1 100 N; na face de baixo, empurra para cima com 1,11 × 10⁵ × 0,01 = 1 110 N. Sobra uma força para cima de 10 N. Dez newtons são o peso de um quilograma — e um quilograma de água é exatamente um litro, que é o volume do cubo. Não é coincidência: a água que o cubo tirou do lugar pesava 10 N, e a água em volta empurra o cubo para cima com esses mesmos 10 N. Leve o cubo a 5 m ou a 100 m de profundidade e a diferença continua 1 000 Pa, porque só a diferença de nível entre as faces entra em Δp = ρ × g × Δh. A força para cima não depende da profundidade — depende do volume do cubo e da densidade da água.
Definição
O que o cubo planta
- Num corpo submerso, a face de baixo está mais fundo que a de cima, e por Stevin recebe pressão maior. As forças laterais se cancelam; sobra uma força para cima.
- Essa força vale ρ do líquido × g × volume do corpo — o peso do líquido que o corpo deslocou. O capítulo 8 a chama de empuxo e a deduz por inteiro; aqui basta ver de onde ela vem: da lei de Stevin.
- Para um corpo totalmente submerso ela não depende da profundidade, porque a diferença de nível entre as faces é a mesma em qualquer lugar.
Esse é o gancho do capítulo 8 e dos navios. Antes dele, porém, há uma pergunta que Stevin deixa aberta: a lei diz o que acontece quando a pressão vem do peso do próprio líquido. E se alguém empurrar o líquido de propósito, num tubo fechado — o que acontece com a pressão no resto dele? É o capítulo 7, e é o que levanta um carro com um pé.
Exemplos resolvidos
Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nos problemas de Stevin, o passo anterior aos três é decidir se a pergunta quer a pressão absoluta, com p₀, ou só a da coluna; e conferir que a profundidade está em metros.
Exemplo 1 — O fundo da fossa
A esfera do Trieste chegou a 10 916 m no mar, de densidade 1 025 kg/m³. Qual era a pressão absoluta ali? Use g = 10 m/s² e p₀ = 1,0 × 10⁵ Pa.
Fórmula. p = p₀ + ρ × g × h
Substituição. p = 1,0 × 10⁵ + 1 025 × 10 × 10 916
Resultado. p ≈ 1,12 × 10⁸ Pa, cerca de 1 120 atm
Conferência. a coluna sozinha dá 1,119 × 10⁸ Pa; a atmosfera de cima é menos de um milésimo disso. Com g = 9,81 e p₀ = 101 325 Pa, 1 084 atm. Nas duas contas, mais de mil.
Exemplo 2 — A régua dos dez metros
Quanto dez metros de água do mar, de densidade 1 025 kg/m³, acrescentam à pressão? E três metros de água doce, no fundo de uma piscina? Use g = 10 m/s².
Fórmula. Δp = ρ × g × Δh
Substituição. mar: 1 025 × 10 × 10 ; piscina: 1 000 × 10 × 3
Resultado. 102 500 Pa ≈ 1 atm ; 3 × 10⁴ Pa = 0,3 atm
Conferência. com água doce, dez metros dão exatamente 10⁵ Pa; o mar acrescenta dois e meio por cento. Na piscina, a pressão absoluta é 1,3 atm — trinta por cento a mais que na superfície.
Exemplo 3 — A janela a nove mil metros
Ao passar de 9 000 m, uma janela externa do Trieste rachou. Qual era a pressão da água ali, e qual a diferença entre fora e dentro da esfera, que estava a 1 atm? Use ρ = 1 025 kg/m³ e g = 10 m/s².
Fórmula. p da coluna = ρ × g × h ; diferença = p de fora − p de dentro
Substituição. 1 025 × 10 × 9 000 = 9,2 × 10⁷ Pa ; fora ≈ 920 atm, dentro 1 atm
Resultado. cerca de 920 atm de coluna; diferença de cerca de 920 atm
Conferência. com a atmosfera de cima, 924; com as constantes exatas, 894 — "cerca de novecentas". A janela sentiu a diferença inteira, porque dentro havia uma atmosfera só.

Exemplo 4 — Um metro quadrado de casco
Que força a água faz sobre um metro quadrado da parede da esfera no fundo, a 1,12 × 10⁸ Pa? Compare com a força do ar de dentro, a 1,0 × 10⁵ Pa.
Fórmula. F = p × A
Substituição. fora: 1,12 × 10⁸ × 1 ; dentro: 10⁵ × 1
Resultado. fora, 1,12 × 10⁸ N, o peso de 11 200 t; dentro, 10⁵ N, o peso de 10 t
Conferência. 1,12 × 10⁸ N ÷ 10 m/s² = 1,12 × 10⁷ kg, onze mil toneladas — mil cento e vinte vezes as dez toneladas da vidraça do capítulo 5. A resultante sobre o metro quadrado é a diferença, e aponta para dentro.
Exemplo 5 — O manômetro no fundo do tanque
Um tanque tem 5 m de água doce. Quanto marca um manômetro no fundo, e qual é a pressão absoluta ali? Use g = 10 m/s² e p₀ = 1,0 × 10⁵ Pa. (Números de exercício.)
Fórmula. manométrica = ρ × g × h ; absoluta = p₀ + ρ × g × h
Substituição. 1 000 × 10 × 5 ; 10⁵ + 5 × 10⁴
Resultado. manométrica 5 × 10⁴ Pa (0,5 atm); absoluta 1,5 × 10⁵ Pa (1,5 atm)
Conferência. a absoluta é três vezes a manométrica neste tanque; a diferença entre as duas é uma atmosfera, como em qualquer profundidade.
Radar ENEM
O ENEM cobra este capítulo de quatro maneiras, e a primeira é a fórmula pura: p = p₀ + ρ × g × h, com um mergulhador, um submarino ou um tanque a uma profundidade dada — e a armadilha de somar ou não a atmosfera conforme a pergunta peça a pressão total ou só a da água. A segunda é a régua dos dez metros: a cada dez metros, uma atmosfera. A terceira é a distinção absoluta × manométrica, quase sempre com um manômetro que marca um número e uma pergunta sobre o outro. A quarta é qualitativa: a pressão não depende do formato do recipiente, só da profundidade — o que prepara os vasos comunicantes do capítulo 10 — e a força sobre uma parede é a diferença de pressão vezes a área.

Com números de exercício: a 20 m de água doce, a coluna faz 2 × 10⁵ Pa, e a pressão absoluta é 3 × 10⁵ Pa — três atmosferas, não duas. Um manômetro que marca 2 × 10⁵ Pa está num ponto a 3 × 10⁵ Pa de pressão absoluta. E uma profundidade de 20 m escrita como 2 000 cm dá uma pressão cem vezes maior — a vírgula andou duas casas porque a altura não foi convertida.
Dica ENEM
Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas
- Esquecer a atmosfera de cima — a pressão total a 20 m é 3 atm, não 2 (seção da lei).
- Somar a atmosfera quando a pergunta era só a coluna — "a pressão exercida pela água" é ρ × g × h, sem p₀.
- Usar a profundidade em centímetros — 1 000 × 10 × 2 000 dá 2 × 10⁷ Pa; a profundidade entra em metros.
- Achar que mais água dá mais pressão — um lago e um copo com a mesma altura fazem a mesma pressão no fundo (seção da lei).
- Confundir a leitura do manômetro com a pressão absoluta — manômetro aberto ao ar marca a diferença em relação à atmosfera (Exemplo 5).
- Dizer que a parede "sente mil atmosferas" — sente a diferença entre fora e dentro; com a mesma pressão dos dois lados não sente nada (Exemplo 4).
Resumo em cinco peças

- Lei de Stevin: p = p₀ + ρ × g × h — a pressão de cima mais a da coluna; entre dois pontos, Δp = ρ × g × Δh, e pontos na mesma altura têm a mesma pressão.
- Dez metros de água = uma atmosfera, e a pressão só depende da profundidade — nunca do formato, da largura ou da quantidade de líquido.
- Absoluta conta o ar de cima; manométrica conta só a coluna, e é o que o manômetro marca. A diferença entre as duas é sempre uma atmosfera.
- O que esmaga é a diferença entre fora e dentro: mil e tantas atmosferas de um lado, uma do outro — e a esfera é a forma que reparte esse aperto por igual.
- Embaixo de um corpo submerso a pressão é maior do que em cima; sobra uma força para cima, o peso do líquido deslocado. O empuxo nasce aqui.
Se for guardar uma frase só, guarde a pilha de cobertores: o primeiro é o ar, cada dez metros de água é mais um — e a esfera lá no fundo está debaixo de mais de mil, com um só do lado de dentro.
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