Termodinâmica ISumário
Ilustração de abertura do capítulo 2: O termômetro que nasceu de cabeça para baixo

Capítulo 2O termômetro que nasceu de cabeça para baixo

Escalas Celsius, Fahrenheit e Kelvin

Em 1742, um astrônomo de Uppsala construiu um termômetro em que a água ferve a zero e congela a cem — e nada nele estava errado: a escala é escolha; a temperatura, não.

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O caso: a água que fervia a zero

Uppsala, Suécia, 1742. O astrônomo Anders Celsius constrói um termômetro com uma escala nova: cem divisões iguais entre dois pontos que qualquer laboratório do mundo pode reproduzir, o gelo que derrete e a água que ferve. Até aí, a ideia que o mundo inteiro adotaria. O detalhe está nos números pintados no vidro: o 0 fica na ebulição e o 100, no congelamento. No termômetro de Celsius, a água ferve a zero e congela a cem.

Um termômetro de vidro antigo, em close, com a escala pintada à mão de cabeça para baixo: o 0 no alto, ao lado da marca "a água ferve", e o 100 embaixo, perto do bulbo, ao lado da marca "o gelo funde"; as divisões 25, 50 e 75 crescem de cima para baixo. A coluna de líquido está na marca 80. Dois cartões: "Uppsala, 1742" e "cem divisões, contadas do vapor para o gelo".
Figura 2.1 — A escala de 1742: quanto mais quente, menor o número.

Celsius morre em 1744. No ano seguinte, a escala já circula virada — 0 no gelo, 100 no vapor —, invertida por mãos que a história atribui a Lineu, o botânico da mesma universidade. O termômetro original, com o 100 pintado perto do bulbo, está guardado no Museu Gustavianum, em Uppsala. A escala que leva o nome dele nasceu de cabeça para baixo e só ficou de pé depois que ele morreu.

Antes de Celsius, em 1724, um fabricante de termômetros de Amsterdã, Daniel Gabriel Fahrenheit, tinha publicado outra escala, com o zero numa salmoura de água, gelo e cloreto de amônio. Depois, em 1848, um físico de Glasgow, William Thomson — mais tarde Lorde Kelvin —, propôs uma escala em que o zero não é escolha de ninguém: é o ponto abaixo do qual nada pode esfriar. Três escalas para o mesmo gelo: zero, trinta e dois, duzentos e setenta e três. Este capítulo mostra o que as três têm em comum, como passar de uma para a outra — a seção da conversão faz isso com uma proporção só — e por que a última é a escala da física.

Toda escala é uma escolha: dois pregos e uma régua

O capítulo 1 deixou uma regra: o termômetro só sabe uma coisa, a própria temperatura, e só a iguala à do corpo depois do equilíbrio térmico. Ele não sabe o número. O número é uma decisão de quem pintou a escala no vidro — e é assim desde Celsius.

Para pintar uma escala bastam três decisões: dois pontos fixos, fenômenos que acontecem sempre na mesma temperatura, e o número de divisões entre eles. O gelo que derrete e a água que ferve, à pressão de 1 atm, são os pontos fixos mais usados, porque qualquer laboratório os reproduz sem precisar de outro termômetro.

Uma régua de borracha esticada entre dois pregos, um marcado "gelo funde" e outro "água ferve". Em cima, a régua de Celsius, com cem marcas: 0 num prego, 50 no meio, 100 no outro. Embaixo, a régua de Fahrenheit, esticada entre os mesmos pregos, com 180 marcas: 32 num prego, 122 no meio, 212 no outro. Um cartão: "mesmos pregos, marcas diferentes".
Figura 2.2 — Escala é uma régua de borracha entre dois pregos: os pregos são os pontos fixos; as marcas, as divisões.

Pense numa régua de borracha esticada entre dois pregos. Os pregos são os pontos fixos; as marcas na borracha são as divisões. Celsius pregou a régua no gelo e no vapor e a dividiu em cem partes. Fahrenheit escolheu outros pregos e outra quantidade de marcas. As duas réguas medem a mesma coisa e discordam em todos os números — e nenhuma está errada. A temperatura do corpo não muda com a régua; muda só o número que a descreve, como a altura de uma pessoa não muda entre metros e polegadas.

Definição

Escala termométrica

Atenção

A escala é escolha; a temperatura, não

Dois termômetros, um em °C e outro em °F, mergulhados na mesma água, marcam números diferentes para a mesma temperatura. Nenhum dos dois "esquentou mais": os dois estão em equilíbrio com a mesma água. Quando a prova troca de escala, a física não mudou; só a régua.

Celsius: cem divisões e uma escala virada

Na escala Celsius de hoje, o gelo funde a 0 °C e a água ferve a 100 °C, a 1 atm. Entre um ponto e outro, cem divisões iguais; cada uma é um grau Celsius. Abaixo do gelo os números ficam negativos, e por isso o ar de Vostok, no capítulo 1, marcava −89,2 °C: oitenta e nove graus e dois décimos abaixo do ponto em que o gelo funde.

Dois termômetros lado a lado na mesma água morna. O da esquerda, "1742", tem o 100 embaixo e o 0 em cima, e a coluna está na marca 70. O da direita, "hoje", tem o 0 embaixo e o 100 em cima, e a coluna, na mesma altura, está na marca 30. Um cartão liga os dois: "mesma água: 70 numa escala, 30 °C na outra; 100 − 30 = 70".
Figura 2.3 — A escala de 1742 e a de hoje: os mesmos pregos, as mesmas cem divisões, contadas ao contrário.

A escala de 1742 tinha os mesmos dois pregos e as mesmas cem divisões, só que contadas ao contrário: 100 no gelo, 0 no vapor. Nada nela estava fisicamente errado. Um termômetro de Celsius mergulhado em água morna a 30 °C de hoje marcaria 70; a informação é a mesma, e a conversão é uma subtração: leitura de 1742 = 100 − leitura de hoje. A inversão de 1745 não corrigiu um erro de física: escolheu a convenção em que quente é número grande, e foi essa que o mundo adotou.

EscalaGelo fundeÁgua ferve
Celsius0 °C100 °C
Fahrenheit32 °F212 °F
Kelvin273,15 K373,15 K

Fahrenheit: a salmoura, o gelo e o corpo

Dezoito anos antes de Celsius, em 1724, Fahrenheit publicou a escala dele nas Philosophical Transactions, em Londres. Os pontos fixos eram outros: o zero ficava na temperatura de uma salmoura de água, gelo e cloreto de amônio — a mistura mais fria que ele preparava na oficina; o 32, no gelo que derrete; o 96, no corpo humano. Entre o zero e o corpo havia 96 divisões, doze vezes oito, um número cômodo de dividir ao meio várias vezes na hora de riscar o vidro.

Um termômetro com a escala Fahrenheit, do 0 ao 212. Quatro marcas com rótulo: 0, "salmoura de água, gelo e sal"; 32, "gelo funde"; 96, "corpo humano (1724)"; 212, "água ferve". Uma chave à direita, entre o 32 e o 212, indica "180 divisões". A coluna de líquido está em 96.
Figura 2.4 — Os pregos de Fahrenheit: a salmoura, o gelo e o corpo. Entre o gelo e o vapor cabem 180 divisões.

Com os pontos fixos de hoje, a água ferve, nessa escala, a 212 °F. Entre o gelo, 32, e o vapor, 212, cabem 212 − 32 = 180 divisões. Esse é o número que importa para a conversão: onde Celsius pôs 100 marcas, Fahrenheit pôs 180. O grau Fahrenheit é menor: cabem 180 ÷ 100 = 1,8 dele em cada grau Celsius. É a escala de uso corrente em poucos países, e por isso a prova gosta dela: uma febre de 98,6 °F soa estranha até que se converta.

Converter é fazer proporção

Duas réguas de borracha pregadas nos mesmos dois pregos, o gelo e o vapor: uma com 100 marcas, outra com 180. Uma temperatura qualquer é um ponto entre os pregos. A fração do caminho que esse ponto percorreu, do gelo até o vapor, é a mesma nas duas réguas, porque as duas medem o mesmo pedaço de borracha. Isso é tudo o que a conversão precisa.

Dois termômetros alinhados pelos pontos fixos: à esquerda, Celsius, 0 embaixo e 100 em cima; à direita, Fahrenheit, 32 embaixo e 212 em cima. Uma linha tracejada horizontal cruza os dois na mesma temperatura, a 60 por cento do caminho. Na coluna Celsius, duas chaves: do 0 até a linha, "T em °C menos 0"; do 0 ao 100, "100". Na coluna Fahrenheit, as chaves correspondentes: "T em °F menos 32" e "180". Embaixo, a proporção: T em °C sobre 100 é igual a T em °F menos 32 sobre 180.
Figura 2.5 — A mesma fração do caminho nas duas réguas: é daí que sai a fórmula.

Em Celsius, a fração é (TC − 0)/100. Em Fahrenheit, é (TF − 32)/180. As duas frações são iguais: TC/100 = (TF − 32)/180. Multiplique os dois lados por 180: 1,8 × TC = TF − 32. Portanto:

T em °F = 1,8 × T em °C + 32.

Leia a fórmula como duas operações na ordem: primeiro esticar (cada grau Celsius vale 1,8 grau Fahrenheit), depois deslocar (o gelo, que em Celsius é 0, em Fahrenheit é 32). Para voltar, desfaça na ordem inversa: TC = (TF − 32) ÷ 1,8 — primeiro tira o 32, depois divide.

Definição

A conversão Celsius–Fahrenheit

Da proporção sai uma curiosidade útil. Existe uma temperatura em que os dois termômetros marcam o mesmo número? Basta pedir TF = TC = T na fórmula: T = 1,8 × T + 32, logo −0,8 × T = 32 e T = 32 ÷ (−0,8) = −40. Menos quarenta é menos quarenta nas duas escalas. Abaixo disso, o número em Fahrenheit fica menor que o de Celsius; acima, maior.

Gráfico com a temperatura em °C no eixo horizontal, de −60 a 40, e a temperatura em °F no eixo vertical, de −60 a 110. Uma reta salmão, a conversão, passa por (0, 32) e (40, 104). Uma reta azul tracejada, a diagonal em que os dois números são iguais, cruza a salmão num só ponto, marcado: (−40, −40).
Figura 2.6 — As duas retas se cruzam uma vez só: em −40, as escalas dizem o mesmo número.

Dica ENEM

Dica ENEM: −40 é a conferência de bolso

Converteu e ficou na dúvida? Teste a fórmula com −40: 1,8 × (−40) + 32 = −72 + 32 = −40. Se a sua versão da fórmula não devolve −40, o 1,8 e o 32 estão no lugar errado. E lembre a ordem: multiplica primeiro, soma depois.

Dica ENEM

Dica ENEM: a escala inventada do enunciado

A prova adora inventar um termômetro: "marca 20 no gelo e 80 na água em ebulição". Não decore nada; faça a proporção com os dois pregos do enunciado: (X − 20)/(80 − 20) = TC/100. É a mesma régua de borracha com outros números pintados. O Exemplo 5 resolve uma.

Atenção

O sinal de menos entra na conta inteiro

Temperatura negativa em Celsius entra na fórmula com o sinal: 1,8 × (−89,2) = −160,56, e só depois soma-se o 32. Quem esquece o sinal, ou soma o 32 antes de multiplicar, sai da fórmula com um número que nenhum termômetro marca. O Exemplo 2 refaz a conta de Vostok passo a passo.

Kelvin: o zero que não é escolha

Celsius e Fahrenheit escolheram os pregos. Em 1848, no artigo "On an Absolute Thermometric Scale", William Thomson propôs outra coisa: uma escala em que o primeiro prego não é escolha de ninguém. Existe um limite inferior de temperatura, um ponto abaixo do qual nada pode esfriar — e ele fica a −273,15 °C. Thomson pôs o zero da escala dele ali. É o zero absoluto, e a escala é a escala Kelvin, o nome que ele recebeu ao virar lorde.

Três termômetros lado a lado, alinhados pela temperatura: Celsius, Fahrenheit e Kelvin. Quatro linhas tracejadas atravessam os três, com o rótulo à esquerda: "água ferve", 100 °C, 212 °F, 373,15 K; "gelo funde", 0 °C, 32 °F, 273,15 K; "Vostok", −89,2 °C, −128,6 °F, 184 K; "zero absoluto", −273,15 °C, −459,67 °F, 0 K. A coluna de líquido dos três está na linha de Vostok.
Figura 2.7 — Três réguas, um só gelo. A régua de Kelvin é a única cujo primeiro prego a natureza cravou.

A unidade se chama kelvin, símbolo K, sem a palavra "grau": diz-se "duzentos e setenta e três kelvin", nunca "duzentos e setenta e três graus Kelvin". A divisão tem o mesmo tamanho do grau Celsius, e por isso a conversão é uma soma, sem esticar nada: TK = TC + 273,15. O gelo funde a 273,15 K; a água ferve a 373,15 K; o ar de Vostok, a −89,2 °C, estava a 183,95 K — cento e oitenta e quatro kelvin acima do nada, e ainda longe dele. Na prova, o 273,15 costuma virar 273.

Definição

Escala Kelvin e zero absoluto

Por que a física prefere o kelvin? Porque as leis que ligam a temperatura a outras grandezas — o volume de um gás, a energia térmica de um corpo — funcionam quando o zero é o zero de verdade. Em kelvin, "o dobro da temperatura" quer dizer o dobro; em Celsius, 20 °C não é o dobro de 10 °C em nada que a natureza reconheça. O que a temperatura mede num gás — a agitação das partículas — tem episódio próprio na série seguinte; aqui basta saber que, no zero absoluto, o movimento térmico é o mínimo possível.

Atenção

"Graus Kelvin" não existe — e "tudo para" também não

Kelvin não tem grau: 300 K se lê "trezentos kelvin". E o zero absoluto não é o lugar onde tudo para: é onde o movimento térmico é o mínimo que a natureza permite. Na prova, "0 K" como temperatura de um corpo real é distrator; nenhum corpo chega lá.

Variação de temperatura: o mesmo ΔT em °C e em K

Uma coisa é a temperatura; outra é a variação dela, ΔT, a diferença entre depois e antes. Como o grau Celsius e o kelvin têm o mesmo tamanho, uma variação é o mesmo número nas duas escalas: a água que vai de 20 °C a 70 °C subiu 50 °C — ou 50 K. O 273 some na subtração: (70 + 273) − (20 + 273) = 70 − 20 = 50.

Dois termômetros lado a lado, um em °C e outro em K, com a mesma água. A coluna de líquido está em 70 °C e 343 K; uma marca tracejada mostra o nível anterior, 20 °C e 293 K. Entre os dois níveis, uma chave em cada coluna: "ΔT = 50 °C" e "ΔT = 50 K". Um cartão à direita: "em °F: 1,8 × 50 = 90 °F".
Figura 2.8 — A mesma subida: 50 °C, 50 K, 90 °F. O 273 e o 32 somem na subtração; o 1,8 fica.

Em Fahrenheit não é assim, porque a divisão é menor: a mesma subida vale 1,8 × 50 = 90 °F. O 32 some na subtração, mas o fator 1,8 fica. Isso importa nos capítulos seguintes: toda fórmula de dilatação e de calor usa ΔT, e por isso aceita °C ou K sem conversão nenhuma — e exige cuidado com °F.

Definição

Variação de temperatura

Dica ENEM

Dica ENEM: quando somar 273 e quando não

Some 273 quando a pergunta é a temperatura em kelvin: 27 °C é 300 K. Não some quando a pergunta é a variação: "subiu 27 °C" é "subiu 27 K". O distrator clássico é 300 K para uma variação de 27 °C — está lá para quem soma 273 em tudo o que vê.

Exemplos resolvidos

Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nas conversões de escala há um cuidado antes dos três: o sinal da temperatura entra na conta inteiro, e a unidade do resultado é a da escala de chegada.

Um termômetro Celsius com a coluna de líquido em −89,2 °C, abaixo da marca do gelo, 0 °C. Ao lado, um cartão com as duas contas em passos: esticar e deslocar, 1,8 × (−89,2) + 32 = −160,56 + 32 = −128,6 °F; somar, −89,2 + 273,15 = 183,95, cerca de 184 K. Uma linha tracejada liga o nível da coluna ao cartão, e ao lado da coluna estão as duas leituras: −128,6 °F e 184 K.
Figura 2.9 — O ar de Vostok nas três escalas: o −89,2 entra inteiro, com o sinal, e sai como −128,6 °F e 184 K.

Exemplo 1 — A febre em Fahrenheit

A temperatura do corpo humano é de 37 °C. Quanto marca um termômetro em Fahrenheit?

Fórmula. TF = 1,8 × TC + 32

Substituição. TF = 1,8 × 37 + 32 = 66,6 + 32

Resultado. TF = 98,6 °F

Conferência. 37 está pouco acima de um terço do caminho entre o gelo e o vapor; 98,6 também fica pouco acima de um terço entre 32 e 212, que é 92. A régua de borracha concorda.

Exemplo 2 — Vostok em Fahrenheit

O ar de Vostok, no capítulo 1, marcou −89,2 °C. Quanto é isso em °F?

Fórmula. TF = 1,8 × TC + 32

Substituição. TF = 1,8 × (−89,2) + 32 = −160,56 + 32

Resultado. TF = −128,56 °F ≈ −128,6 °F

Conferência. é o número que a Organização Meteorológica Mundial publica ao lado do −89,2. E faz sentido: abaixo de −40, o número em Fahrenheit tem de ser menor que o de Celsius.

Exemplo 3 — Vostok em kelvin

O mesmo ar, a −89,2 °C: quanto é em kelvin?

Fórmula. TK = TC + 273,15

Substituição. TK = −89,2 + 273,15

Resultado. TK = 183,95 K ≈ 184 K

Conferência. positivo, como toda temperatura em kelvin; 184 K é cento e oitenta e quatro kelvin acima do zero absoluto — o ar mais frio já medido na Terra ainda está longe do nada.

Exemplo 4 — Onde as escalas coincidem

Em que temperatura um termômetro Celsius e um Fahrenheit marcam o mesmo número?

Fórmula. T = 1,8 × T + 32 (a mesma leitura T nas duas escalas)

Substituição. T − 1,8 × T = 32 ; −0,8 × T = 32 ; T = 32 ÷ (−0,8)

Resultado. T = −40 (−40 °C = −40 °F)

Conferência. 1,8 × (−40) + 32 = −72 + 32 = −40. Fecha.

Exemplo 5 — A escala inventada

Um termômetro sem nome marca 20 no gelo que funde e 80 na água em ebulição. Mergulhado numa água, marca 65. Qual é a temperatura da água em °C?

Fórmula. (X − 20)/(80 − 20) = TC/100 (mesma fração do caminho nas duas réguas)

Substituição. (65 − 20)/60 = TC/100 ; 45/60 = 0,75 ; TC = 0,75 × 100

Resultado. TC = 75 °C

Conferência. 65 está a três quartos do caminho entre 20 e 80; três quartos de 100 é 75. Ler 65 como se fosse 65 °C seria o erro da alternativa fácil.

Radar ENEM

O ENEM cobra este capítulo quase sempre como conversão entre escalas, o item mais frequente de termometria: uma temperatura em °C que a questão quer em °F ou em K, ou o caminho de volta. O segundo formato é o da variação: a prova dá uma subida em °C e pergunta em kelvin, e coloca o 273 somado nas alternativas. O terceiro é a escala inventada, resolvida por proporção. O quarto é conceitual: o que é o zero absoluto.

Um termômetro em °C: o nível anterior, 20 °C, tracejado, e o nível atual, 50 °C; entre eles, uma chave, "subiu 30 °C". Ao lado, o cartão com a resposta certa, "em kelvin: subiu 30 K", e, riscados com um X, dois cartões de distratores: "303 K", o 273 somado à variação, e "62 °F", o 32 somado a uma diferença.
Figura 2.10 — Pediu a variação em kelvin? É o mesmo número. O 303 está na alternativa para quem soma 273 em tudo.

Uma água passa de 20 °C para 50 °C; qual foi a variação em kelvin? Subiu 30 °C, logo subiu 30 K — a divisão é a mesma. E os distratores? "303 K", para quem soma 273 à variação; "323 K", a temperatura final em kelvin, que não é o que se perguntou; e, se a questão pedir em Fahrenheit, "30 °F" ou "62 °F" para quem esquece o 1,8 ou soma o 32 numa diferença: o certo seria 1,8 × 30 = 54 °F. Na conversão simples, o examinador oferece o número sem o +32 e o número com o sinal trocado.

Dica ENEM

Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas

Resumo em cinco peças

Cinco peças: escala é dois pontos fixos e um número de divisões; T em °F é 1,8 vezes T em °C mais 32; T em K é T em °C mais 273,15, kelvin sem grau; a variação de temperatura é a mesma em °C e em K; menos 40 é menos 40 nas duas escalas.
Figura 2.11 — O capítulo em cinco peças.
  1. Escala é escolha: dois pontos fixos e um número de divisões. O termômetro só lê a própria temperatura.
  2. Celsius e Fahrenheit: proporção de segmentos, 100 contra 180. T em °F = 1,8 × T em °C + 32.
  3. Kelvin começa no zero absoluto, −273,15 °C: T em K = T em °C + 273,15. Kelvin não tem grau.
  4. A variação de temperatura é a mesma em °C e em K; em °F, multiplique por 1,8.
  5. −40 é −40 nas duas escalas: a conferência de bolso da conversão.

Se for guardar uma frase só, guarde o termômetro de Uppsala: a água fervia a zero, e ninguém estava errado — a escala é escolha; a temperatura, não.

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