
Capítulo 7A lâmina que entra no balde a oitocentos graus
Calorimetria
Uma lâmina de aço sai da forja a oitocentos graus e entra num balde com dez litros de água a vinte: antes de qualquer termômetro, uma conta em que a soma dá zero já diz onde a água vai parar — em 28,5 °C.
Neste capítulo você vai
- Declarar o sistema, o antes e o depois antes de qualquer número, e dar a cada calor trocado o sinal certo: quem esfria cede, Q negativo; quem esquenta recebe, Q positivo
- Fechar a soma zero da calorimetria para achar a temperatura final de uma mistura — que fica entre as iniciais, puxada por quem tem m × c maior — da lâmina no balde às duas águas
- Usar o calorímetro para medir o calor específico de um metal desconhecido, contar o próprio calorímetro na soma, e ver por que a conta ideal é o piso do que a forja de verdade mostra
Assista ao episódio 7
Este capítulo acompanha o episódio 7 da série no canal. Assista antes ou depois da leitura — o vídeo é público e gratuito.
O caso: a lâmina, o balde e uma conta que sabe antes do termômetro
Numa oficina de têmpera, uma lâmina de aço sai da forja entre 790 °C e 915 °C — a faixa em que a estrutura do aço se rearranja; a temperatura exata depende da liga, e 800 °C é um valor típico. Nesse estado ela entra num balde de água. A água arranca calor da superfície a mais de 1 000 °C por segundo, e é esse choque que deixa a lâmina dura. É um ofício antigo, e todo dia se repete em fábricas de ferramentas, molas e facas.

Este capítulo pega o caso pelo lado da conta. Um quilo de aço a 800 °C mergulha em dez litros de água a 20 °C. A lâmina esfria; a água esquenta. Em que temperatura os dois param? A resposta sai antes de qualquer termômetro: 28,5 °C. Não é chute. É uma conta em que a soma dá zero — o calor que sai da lâmina é exatamente o calor que entra na água.
A conta é ideal, e o capítulo diz isso desde já: ela supõe o calor específico do aço constante, nenhuma água virando vapor e nenhum calor indo para o ar. Na forja de verdade, parte da água vira vapor na hora. A última seção de teoria mostra por que, mesmo assim, a conta ideal é o piso de tudo o que vem depois. Antes dela, a primeira seção explica a regra que faz a soma dar zero.
O sistema declarado: quem troca calor com quem
O capítulo 6 mostrou que calor é energia em trânsito: o que atravessa a fronteira entre um corpo e outro quando as temperaturas são diferentes. Um corpo não "tem" calor; tem energia térmica. Calor é o que passa. E, para contar o que passa, a primeira coisa a fazer é dizer entre quem passa.

Na Mecânica I, nenhuma velocidade valia sem referencial declarado. Aqui a regra equivalente é esta: nenhuma troca de calor se conta sem o sistema declarado. Para a lâmina, escreve-se assim — sistema: lâmina + água; isolado do ar; antes: 800 °C e 20 °C; depois: um só número. Isolado quer dizer que nada de calor entra ou sai pela fronteira do sistema. Dentro dele, o calor pode ir de um corpo ao outro à vontade; para fora, nada.
Definição
Sistema isolado e o sinal de Q
- Sistema é o conjunto de corpos que se está contando. Isolado é o sistema que não troca calor com nada de fora.
- Q > 0 quando o corpo recebe calor (a temperatura dele sobe). Q < 0 quando o corpo cede calor (a temperatura dele cai).
- O sinal não é opinião: ele nasce da fórmula do capítulo 6, Q = m × c × ΔT, com ΔT = Tfinal − Tinicial. Quem esquenta tem ΔT positivo; quem esfria, negativo.
Declarado o sistema, os sinais se arrumam sozinhos. A lâmina vai de 800 °C para algo perto de 28 °C: ΔT negativo, Q negativo, cede. A água vai de 20 °C para o mesmo número: ΔT positivo, Q positivo, recebe. E o ar? Está fora do sistema. Se ele recebesse calor da lâmina, a conta teria de incluí-lo; a conta ideal deste capítulo diz, de propósito, que ele não recebe.
Atenção
ΔT tem sinal: final menos inicial, sempre nessa ordem
Boa parte dos erros de calorimetria vem de um ΔT escrito "de qualquer jeito". A lâmina foi de 800 °C para 28,5 °C: ΔT = 28,5 − 800 = −771,5 °C, negativo. Quem escreve 800 − 28,5 = +771,5 acha um Q positivo para um corpo que esfriou — e a soma que deveria dar zero dá o dobro de um dos lados. Final menos inicial, e o sinal vem de graça.
A soma que dá zero
Num sistema isolado, a energia térmica que sai de um corpo não some: entra em outro corpo do mesmo sistema. É a mesma ideia do extrato de energia da Mecânica II, agora com uma coluna só, a térmica, e dois corpos. O que a lâmina cede, a água recebe, joule por joule. Em símbolos, com o sinal já dentro de cada Q:
Definição
A equação da calorimetria
Num sistema isolado, a soma de todos os calores trocados é zero: Q₁ + Q₂ = 0 (e, com mais corpos, a soma de todos eles). Com Q = m × c × ΔT em cada corpo: m₁ × c₁ × (Tfinal − T₁) + m₂ × c₂ × (Tfinal − T₂) = 0. Uma equação, uma incógnita: Tfinal. Tudo o mais é dado.

A analogia que ajuda é a de uma conta bancária conjunta. Duas contas, um só saldo total: o que sai de uma entra na outra, centavo por centavo. Ninguém cria dinheiro nem perde dinheiro nessa transferência; só muda de conta. A temperatura final é onde as duas contas param de discutir. Na lâmina, o extrato tem duas linhas: −3,55 × 105 J para o aço, +3,56 × 105 J para a água. A diferença no último algarismo é arredondamento do 28,5 °C, e a soma, com o número exato, dá zero.
Resolver a equação para Tfinal é álgebra de uma linha. Abre-se cada parêntese, juntam-se os termos com Tfinal de um lado e os números do outro:
Tfinal = (m₁ × c₁ × T₁ + m₂ × c₂ × T₂) ÷ (m₁ × c₁ + m₂ × c₂).
Para a lâmina: m₁ × c₁ = 1 × 460 = 460 J/°C; m₂ × c₂ = 10 × 4 186 = 41 860 J/°C. Então Tfinal = (460 × 800 + 41 860 × 20) ÷ (460 + 41 860) = (368 000 + 837 200) ÷ 42 320 ≈ 28,5 °C. A água subiu oito graus e meio; a lâmina caiu setecentos e setenta.
Dica ENEM
Dica ENEM: a temperatura final é uma média com pesos
A fórmula acima é uma média ponderada das temperaturas iniciais, e o peso de cada corpo é o seu m × c — a capacidade térmica do capítulo 6. Quando os corpos são de água e têm a mesma massa, os pesos são iguais e a média é a simples: 80 °C com 20 °C dá 50 °C. Com massas diferentes, ou materiais diferentes, a média simples está errada — e é a alternativa que a prova deixa à mão.
A temperatura final fica entre as duas
Uma média ponderada nunca sai do intervalo dos números que ela pondera. Por isso a temperatura final de uma mistura fica entre a mais baixa e a mais alta das temperaturas iniciais — nunca abaixo da menor nem acima da maior. Se a conta deu 15 °C para uma mistura de água a 20 °C com água a 80 °C, não precisa refazer nada para saber que errou.

E para que lado ela pende? Para o lado de quem tem m × c maior. Duzentos gramas de água a 80 °C com trezentos gramas a 20 °C param em (200 × 80 + 300 × 20) ÷ 500 = 22 000 ÷ 500 = 44 °C: mais perto dos 20 °C, porque os 300 g pesam mais na média. O corpo de capacidade térmica maior "puxa" a temperatura final para perto da sua — é o balde maior do capítulo 6, agora numa disputa.
Na têmpera, a disputa é desigual. O m × c da água é 41 860 J/°C; o da lâmina, 460 J/°C. A água puxa 91 vezes mais. Por isso a temperatura final fica a oito graus e meio da água e a setecentos e setenta da lâmina.
| Corpo | m × c | Peso na média |
|---|---|---|
| lâmina | 460 J/°C | 1 |
| água | 41 860 J/°C | 91 |
Atenção
Massa grande não é calor específico grande
A água puxa 91 vezes mais não só porque tem dez vezes a massa: tem também nove vezes o calor específico (4 186 contra 460). Dez vezes nove é noventa e um, arredondando. Quem compara só as massas erra o peso; quem compara só os calores específicos também. O que pesa na média é o produto, m × c.
Dica ENEM
Dica ENEM: o teste do intervalo
Antes de marcar, confira: a temperatura final está entre a menor e a maior das iniciais? Está mais perto de quem tem m × c maior? Alternativas fora do intervalo se eliminam de olho; entre as que sobram, a mais perto do corpo "pesado" costuma ser a certa.
O calorímetro: o termômetro dentro da mistura
A equação da calorimetria vale para qualquer sistema isolado. O balde da forja é um sistema isolado só na conta ideal. O instrumento feito para ser isolado de verdade se chama calorímetro: um recipiente de paredes isolantes, com tampa, e um termômetro atravessando a tampa até a mistura.

O termômetro é o mesmo do capítulo 1, e faz a única coisa que um termômetro sabe fazer: entra em equilíbrio térmico com o que o cerca e mostra a própria temperatura. Enquanto o metal e a água discutem, a coluna anda; quando param, a coluna para. O número em que ela para é Tfinal — o mesmo que a equação previu. Medida e conta se conferem uma pela outra.
Definição
Calorímetro
Recipiente de paredes isolantes que fecha um sistema para a troca de calor acontecer só entre os corpos que estão dentro dele. Com um termômetro, ele mede Tfinal; com Tfinal medido, a equação da calorimetria devolve o que faltava — em geral, o calor específico de um dos corpos.
É assim que se descobre o calor específico de um material. Um pedaço de 100 g de um metal desconhecido é aquecido até 100 °C e mergulhado em 200 g de água a 20 °C dentro do calorímetro. O termômetro para em 22,5 °C. A água recebeu 200 × 4,186 × 2,5 ≈ 2 093 J; o metal cedeu esses mesmos 2 093 J esfriando 77,5 °C. Então c = 2 093 ÷ (100 × 77,5) ≈ 0,27 J/(g·°C), ou 270 J/(kg·°C). Uma tabela diz quem é. O Exemplo 3 faz a conta inteira.
O calorímetro de verdade também esquenta um pouco: as paredes internas e o termômetro recebem calor da mistura. Por isso ele vem com uma capacidade térmica própria, C, em J/°C ou cal/°C, que entra na soma como se fosse mais um corpo — ou, dito de outro jeito, com o seu equivalente em água: a massa de água que receberia o mesmo calor com a mesma variação de temperatura. Um calorímetro de 20 cal/°C conta como 20 g de água a mais.
Dica ENEM
Dica ENEM: calorias no calorímetro
Questão de calorímetro quase sempre vem em calorias, porque a água fica com c = 1 cal/(g·°C) e a conta sai de cabeça. Mantenha tudo na mesma unidade: massa em gramas, c em cal/(g·°C), capacidade térmica do calorímetro em cal/°C. Misturar 4 186 J/(kg·°C) com gramas e calorias é a forma mais rápida de errar por mil.
A conta ideal é o piso
Volte à forja. A conta deu 28,5 °C com três suposições: o calor específico do aço é constante, nenhuma água vira vapor e o ar não recebe nada. Nenhuma das três é exata, e vale saber o que cada uma faz com o número.

A primeira suposição é a que o ENEM usa, e o livro a usa também: c do aço = 460 J/(kg·°C), o valor de temperatura ambiente. Mas o c real do aço sobe com a temperatura — a 100 °C já passa de 480, e a média entre 30 °C e 800 °C fica perto de 720 J/(kg·°C). Isso quer dizer que a lâmina de verdade tem mais energia térmica para ceder do que a conta com 460 supõe. Nota: com o c de verdade, que cresce com a temperatura, e ainda sem vapor, a mesma conta dá uns 33 °C. A conta ideal, portanto, é o piso do que a água pode receber.
As outras duas suposições vão no sentido contrário, e levam embora parte do que a lâmina cede. Água em contato com aço a 800 °C vira vapor na hora, e vaporizar custa muito calor — é o assunto do capítulo 8. Esse vapor sai do balde e leva a energia com ele. O ar em volta também recebe calor, da lâmina e da superfície da água. Nada disso viola a soma zero: o sistema de verdade é lâmina + água + vapor + ar, e a soma continua dando zero nele. O que muda é que a água líquida do balde fica com menos do que a conta ideal previu — e o termômetro, no fim, pode marcar menos que os 28,5 °C.
Atenção
Sistema mal declarado é conta errada, não física errada
A soma dos calores dá zero no sistema isolado. Se o balde perde vapor e esquenta o ar, o sistema "lâmina + água" não é isolado, e a conta com dois corpos não vale para ele. A física continua certa: o calor que faltou na água está no vapor e no ar. O erro está em declarar um sistema que não é o de verdade. Por isso a declaração vem antes dos números.
Ficam três números para guardar. Conta ideal, 28,5 °C: o modelo da prova. Com o c real do aço e sem vapor, cerca de 33 °C: o que a lâmina teria para dar. Na forja, um pouco menos que a conta: vapor e ar levam o resto. O piso é o número que se cobra; os outros dois dizem o que ele deixa de fora.
Exemplos resolvidos
Toda conta deste livro é feita em três tempos: a fórmula, a substituição dos números (já nas unidades certas) e o resultado com a unidade. Nos exemplos deste capítulo há uma linha antes dos três: declarar o sistema, o antes e o depois, com o sinal de cada Q já decidido — quem esquenta recebe (Q > 0), quem esfria cede (Q < 0). Só depois entra a soma zero.
Exemplo 1 — A lâmina no balde
Uma lâmina de aço de 1 kg a 800 °C (c = 460 J/(kg·°C)) entra em 10 kg de água a 20 °C (c = 4 186 J/(kg·°C)). Sistema: lâmina + água; isolado do ar; antes: 800 °C e 20 °C; depois: Tfinal. Qual é a temperatura final?
Fórmula. Q lâmina + Q água = 0 ; Tfinal = (m₁ × c₁ × T₁ + m₂ × c₂ × T₂) ÷ (m₁ × c₁ + m₂ × c₂)
Substituição. Tfinal = (1 × 460 × 800 + 10 × 4 186 × 20) ÷ (1 × 460 + 10 × 4 186) = (368 000 + 837 200) ÷ 42 320
Resultado. Tfinal ≈ 28,5 °C
Conferência. fica entre 20 °C e 800 °C, e a oito graus e meio da água, que tem m × c 91 vezes maior. A lâmina caiu 771,5 °C.
Exemplo 2 — Duas águas
Misturam-se 200 g de água a 80 °C com 300 g de água a 20 °C num recipiente isolado. Sistema: as duas águas; antes: 80 °C e 20 °C; depois: Tfinal. Qual é a temperatura final?
Fórmula. Tfinal = (m₁ × T₁ + m₂ × T₂) ÷ (m₁ + m₂), porque o c é o mesmo nos dois e cancela
Substituição. Tfinal = (200 × 80 + 300 × 20) ÷ (200 + 300) = (16 000 + 6 000) ÷ 500 = 22 000 ÷ 500
Resultado. Tfinal = 44 °C
Conferência. entre 20 °C e 80 °C, e mais perto dos 20 °C, porque os 300 g puxam mais. A média simples, 50 °C, seria o erro de tratar as massas como iguais.

Exemplo 3 — O metal desconhecido
Um pedaço de 100 g de um metal a 100 °C é posto em 200 g de água a 20 °C num calorímetro de capacidade térmica desprezível; o termômetro para em 22,5 °C. Sistema: metal + água; antes: 100 °C e 20 °C; depois: 22,5 °C. Qual é o calor específico do metal, em J/(g·°C)?
Fórmula. Q água + Q metal = 0 ; mágua × cágua × ΔT água + mmetal × c × ΔT metal = 0
Substituição. 200 × 4,186 × (22,5 − 20) + 100 × c × (22,5 − 100) = 0 ; 2 093 − 7 750 × c = 0 ; c = 2 093 ÷ 7 750
Resultado. c ≈ 0,27 J/(g·°C) = 270 J/(kg·°C)
Conferência. o metal cedeu 100 × 0,27 × 77,5 ≈ 2 093 J, o mesmo que a água recebeu. Um c bem menor que o da água (4,186 J/(g·°C)): é o esperado para um metal, e uma tabela diz qual.
Exemplo 4 — O sinal de cada lado
Na têmpera do Exemplo 1, quanto calor a lâmina cedeu e quanto a água recebeu, com Tfinal = 28,5 °C? Sistema: lâmina + água; antes: 800 °C e 20 °C; depois: 28,5 °C.
Fórmula. Q = m × c × (Tfinal − Tinicial), para cada corpo
Substituição. Q lâmina = 1 × 460 × (28,5 − 800) = 460 × (−771,5) ; Q água = 10 × 4 186 × (28,5 − 20) = 41 860 × 8,5
Resultado. Q lâmina ≈ −3,55 × 105 J (cede) ; Q água ≈ +3,56 × 105 J (recebe)
Conferência. mesmo número, sinais trocados: soma zero. A diferença no último algarismo vem do arredondamento de Tfinal para 28,5 °C; com o valor exato, 28,48 °C, os dois módulos coincidem.
Exemplo 5 — Três corpos: o calorímetro entra na conta
Um calorímetro de capacidade térmica 20 cal/°C contém 180 g de água a 20 °C. Despejam-se nele 100 g de água a 80 °C. Sistema: calorímetro + água fria + água quente; antes: 20 °C, 20 °C e 80 °C; depois: Tfinal. Qual é a temperatura final?
Fórmula. Q calorímetro + Q água fria + Q água quente = 0 ; C × ΔT + m₁ × 1 × ΔT₁ + m₂ × 1 × ΔT₂ = 0
Substituição. 20 × (Tfinal − 20) + 180 × (Tfinal − 20) + 100 × (Tfinal − 80) = 0 ; 300 × Tfinal = 400 + 3 600 + 8 000 = 12 000
Resultado. Tfinal = 40 °C
Conferência. o calorímetro contou como 20 g de água a mais (equivalente em água), e o resultado fica entre 20 °C e 80 °C. Sem o calorímetro, daria (180 × 20 + 100 × 80) ÷ 280 ≈ 41,4 °C: as paredes puxaram a mistura um pouco para baixo.
Radar ENEM
O ENEM cobra calorimetria de um jeito quase fixo: a temperatura de equilíbrio de uma mistura — duas águas, ou um metal quente numa água fria — é a questão clássica; o calor específico desconhecido medido no calorímetro vem logo atrás; e a soma zero com três corpos (o calorímetro entra) é a versão mais difícil. Em todas, o que se testa é o mesmo: escrever cada Q com o sinal certo e igualar a soma a zero.

Trezentos gramas de água a 20 °C com 100 g de água a 80 °C: sistema: as duas águas; antes: 20 °C e 80 °C; depois: Tfinal = (300 × 20 + 100 × 80) ÷ 400 = 14 000 ÷ 400 = 35 °C. Os distratores? O "50 °C" da média simples, para quem ignora que 300 g pesam mais que 100 g; o "65 °C" de quem troca os pesos; e o Q com sinal errado, que faz a soma dar o dobro em vez de zero. Nas questões de calorímetro, o tropeço é esquecer a capacidade térmica do recipiente — ou, ao contrário, somá-la como se fosse a massa da água quente.
Dica ENEM
Dica ENEM: os tropeços que o examinador coloca nas alternativas
- Fazer a média simples das temperaturas — só vale com m × c iguais; com massas ou materiais diferentes, a média é ponderada por m × c (Exemplo 2).
- Trocar o sinal de um Q — ΔT é final menos inicial; quem esfria tem Q negativo, e a soma tem de dar zero, não o dobro (Exemplo 4).
- Esquecer o calorímetro — a capacidade térmica dele entra na soma como mais um corpo, à temperatura inicial da água que já estava dentro (Exemplo 5).
- Misturar unidades — gramas com J/(kg·°C), ou calorias com joules, na mesma linha; escolha um sistema e fique nele (Exemplo 3).
- Aceitar um resultado fora do intervalo — a temperatura final fica entre a menor e a maior das iniciais, sempre (seção do intervalo).
Resumo em cinco peças

- Sistema isolado declarado: a soma de todos os calores trocados é zero.
- A temperatura final fica entre as iniciais, puxada por quem tem m × c maior.
- Cede: Q < 0; recebe: Q > 0. O sinal vem de ΔT = final − inicial.
- O calorímetro fecha o sistema e, com o termômetro, mede o c de um material.
- A conta ideal é o piso: vapor e ar levam o resto.
Se for guardar uma frase só, guarde a lâmina: 800 graus de um lado, 20 do outro, e antes de qualquer termômetro a soma zero já disse onde a água ia parar — em 28,5.
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